Brasília - A escalada do conflito no Oriente Médio repercutiu no Boletim Focus, que agora projeta inflação de 4,80% para 2026 e devolve a perspectiva de juros básicos a 13% ao ano, invertendo o alívio esperado há apenas uma semana.
- Em resumo: IPCA deve estourar o teto da meta e obrigar o Banco Central a segurar cortes mais agressivos na Selic.
Por que um IPCA de 4,80% acende o alerta
O teto do regime de metas contínuas é de 4,5%. Se confirmado, o índice romperá a faixa de tolerância logo no primeiro ano de vigência do novo sistema. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, a pressão maior vem dos preços de alimentos e energia, diretamente impactados pela disputa geopolítica que mantém o barril de petróleo acima de US$ 90.
Para 2027 e 2028, os economistas consultados já revisaram o IPCA para 3,99% e 3,60%, mas admitem que novos choques de oferta podem levar a novas correções.
Em 4,80% para este ano, a projeção do mercado financeiro supera o teto do sistema de metas — que é de 4,5%.
Juros, câmbio e PIB: o efeito dominó
Mesmo sob aperto inflacionário, o mercado acredita em trajetória de queda dos juros, porém mais curta: a Selic de fim de 2026 subiu de 12,5% para 13%. Esse ajuste tende a encarecer crédito, refrear consumo e esfriar a retomada do emprego.
Na moeda, a estimativa de R$ 5,30 para o dólar no fim do ano sinaliza menor pressão cambial, mas analistas alertam que qualquer escalada militar pode disparar uma fuga para ativos seguros, elevando a cotação rapidamente. Já o PIB foi revisado marginalmente para 1,86% em 2026; o IBGE lembra que a economia brasileira cresceu 2,3% no último ano, desempenho que pode ser difícil de repetir com juros altos e inflação acima da meta.
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Crédito da imagem: Reuters/Alexey Malgavko