Fortaleza/CE - Na próxima quinta-feira, 23 de abril de 2025, o Complexo Social Mais Infância Padre Caetano, no Cristo Redentor, recebe a roda de conversa “Para além da Iracema” com lideranças Tapeba. A proposta promete sacudir visões romantizadas e colocar, frente a frente, crianças e adolescentes com a realidade de um dos povos indígenas mais próximos da capital cearense.
- Em resumo: encontro mostra a resistência Tapeba e conecta jovens à verdadeira história indígena cearense.
Vivência direta quebra estereótipos
Aos 66 anos, Beth Tapeba — primeira professora de sua aldeia — e o líder Francisco Cláudio Alves dos Reis levarão narrativas sobre identidade, território e direitos. O momento é estratégico: segundo o IBGE, mais de 817 mil indígenas vivem no Brasil, mas apenas 0,2 % da população urbana declara conhecer uma comunidade próxima.
No Ceará, a presença da etnia Tapeba na Região Metropolitana de Fortaleza permanece invisibilizada, apesar de processos de demarcação que se arrastam há décadas.
“Ainda vemos a figura romantizada de Iracema, que não corresponde à potência real desses povos”, reforça Mirella Fiuza, coordenadora do equipamento social.
Por que a pauta indígena importa nas escolas
Desde 2008, a Lei 11.645 obriga o ensino da história e cultura indígena em toda a educação básica. Mesmo assim, levantamento do Instituto Alana indica que 63 % dos docentes sentem falta de materiais adequados sobre o tema.
Ao aproximar lideranças Tapeba de salas de aula vivas, o Complexo Padre Caetano responde a essa lacuna e ajuda a construir uma sociedade menos marcada por estereótipos. A iniciativa também dialoga com o Censo Escolar 2024, que aponta crescimento de 18 % nas matrículas de alunos indígenas em escolas urbanas cearenses.
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