FORTALEZA (CE) – Depois de quase um mês aguardando apoio em terra, os oito tripulantes do navio africano NW Aidara finalmente receberam atendimento direto da Embaixada de Gana no Brasil, acionada pela Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih) para assegurar documentação e contato com as famílias.
- Em resumo: Diplomata de Gana viajou de Brasília a Fortaleza para prestar assistência consular exclusiva aos marinheiros resgatados.
Operação humanitária em terra
O ministro David Sefa-Boakye, enviado especial da Embaixada, transformou a sede da Sedih em um posto itinerante de serviços consulares no último domingo (19). A ação garantiu passaportes válidos, registro de fatos junto ao governo ganês e suporte psicológico, segundo a pasta cearense. O atendimento ocorre três semanas após o navio, com falha hidráulica, ser rebocado pela Marinha do Brasil ao Porto de Fortaleza.
Desde o desembarque, a tripulação recebe alimentação, kits de higiene, água potável e acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de uma força-tarefa que inclui Polícia Federal, Capitania dos Portos e organizações civis.
“Nosso foco é garantir direitos previstos na Lei 13.445/2017, de migração e refúgio”, destacou a Sedih em nota oficial.
Por que isso importa
Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) mostram que o Ceará concentrou mais de 7 mil registros de pessoas estrangeiras em 2023, crescimento de 18 % em relação a 2022. Especialistas apontam que o Nordeste tem se tornado rota alternativa para navios de carga que enfrentam panes no Atlântico, exigindo resposta rápida das autoridades locais.
Além do aspecto humanitário, o caso do NW Aidara reforça a importância de acordos consulares ativos: sem documentação regularizada, tripulantes ficariam impossibilitados de retornar a Gana ou buscar emprego em outros portos, situação que poderia configurar trabalho análogo à escravidão, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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