Recife (PE) – O cantor e compositor Geraldo Azevedo disponibiliza nesta sexta-feira, 24 de abril, o registro ao vivo “Oitentação”, gravado durante a turnê que comemora seus 80 anos. Diferentemente de coletâneas anteriores, o novo trabalho praticamente ignora o próprio repertório de hits, apostando em faixas menos conhecidas e duas inéditas.
- Em resumo: das dez músicas, apenas “Bicho de Sete Cabeças” figura entre os grandes sucessos do artista.
Por que fugir dos clássicos?
A estratégia de Azevedo mira renovar a relação com o público, oferecendo um recorte alternativo de sua obra. A decisão converge com a tendência de artistas veteranos que, segundo relatório da Variety, viram o streaming ampliar a procura por lados B e gravações raras.
No repertório surgem joias como “Caravelas” (1981) e “Lusitana do Norte” (1986), além do xote inédito “Arthur e Alice”. A única composição de fora de sua lavra é “O Sal da Terra”, clássico humanista de Beto Guedes que ganha nova roupagem.
“Há somente um grande sucesso do cantor, ‘Bicho de sete cabeças’, no alinhamento das dez faixas”, destaca a descrição do show original.
Contexto, mercado e legado
Artistas acima de 60 anos aumentaram 19% no consumo de álbuns ao vivo no Brasil em 2023, de acordo com dados da Pro-Música. Azevedo, portanto, surfa num segmento em crescimento ao mesmo tempo em que reforça sua identidade de palco – afinal, a doçura de sua voz convive agora com arranjos mais rascantes que aproximam xote nordestino do folk contemporâneo.
O movimento também dialoga com a celebração de carreiras longevas. Desde 2015, quando completou 70 anos, o pernambucano registra quase todas as turnês; “Oitentação” sucede “Solo Contigo” (2019) e “Violivoz” (2023, em parceria com Chico César). A nova fase de shows começa imediatamente após o lançamento digital, devendo circular por capitais do Nordeste e Sudeste até o segundo semestre.
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