TCP proíbe terreiros de Umbanda e intimida fiéis

TCP proíbe terreiros de Umbanda e intimida fiéis

TCP proíbe terreiros de Umbanda e intimida fiéis – A expansão nacional do Terceiro Comando Puro (TCP) tem acirrado a violência contra religiões de matriz africana em diferentes regiões brasileiras.

Levantamentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontam que a facção, criada no Rio de Janeiro em 2002, já atua em pelo menos 10 estados, onde impõe o fechamento de terreiros de Umbanda e Candomblé e ameaça praticantes dessas crenças.

Violência religiosa como instrumento de controle

Em áreas dominadas, o TCP utiliza o discurso religioso para estabelecer regras e intimidar moradores. O fenômeno é similar ao observado por outras facções, mas ganha contornos mais agressivos com a imposição de práticas de intolerância.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram que denúncias de crimes motivados por intolerância religiosa cresceram 45 % nos últimos cinco anos, refletindo o avanço de grupos que exploram o medo para consolidar poder territorial.

Estados e cidades sob influência

Além do Rio de Janeiro, foram identificados núcleos do TCP no Ceará, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Amapá, Acre, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. No Ceará, a pressão é maior em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza.

A presença da facção se fortalece por alianças com quadrilhas locais, que fornecem suporte logístico na disputa por pontos de venda de drogas e armas. Em contrapartida, o TCP transfere know-how sobre extorsão e táticas de coerção social.

Extorsão e ameaças a comerciantes

Relatórios policiais apontam que, em Maracanaú, três suspeitos foram presos por cobrar “taxas” de vendedores ambulantes ligados a apostas, estratégia destinada a financiar as atividades criminosas.

Para comunidades de terreiro, o impacto vai além da restrição ao culto: líderes religiosos relatam perda de renda com a suspensão de rituais, aumento de deslocamentos forçados e sensação constante de insegurança.

O que dizem especialistas

Pesquisadores em segurança pública lembram que o Código Penal prevê pena de um a três anos para quem impedir ou perturbar cerimônia religiosa. Contudo, a aplicação da lei esbarra na dificuldade de investigação em territórios dominados por facções, onde prevalece o silenciamento das vítimas.


Especialistas recomendam a criação de canais sigilosos de denúncia, reforço do policiamento comunitário e políticas públicas voltadas à liberdade religiosa como caminhos para coibir a escalada de crimes de intolerância.

Casos como esses expõem a necessidade de integração entre órgãos estaduais e federais para desarticular estruturas criminosas que ameaçam direitos fundamentais. Para mais detalhes e outras ocorrências, acesse nossa editoria de Segurança.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino

Vinicius Balbino faz parte da equipe do C4 Notícias, atuando na produção de conteúdos sobre esportes, atualidades, tecnologia, entretenimento e acontecimentos de grande repercussão. Com experiência em jornalismo digital e cobertura de notícias online, desenvolve matérias com linguagem clara, moderna e acessível para diferentes públicos. Seu trabalho acompanha diariamente os temas mais relevantes do Brasil e do mundo, levando informação rápida, confiável e atualizada aos leitores do portal.