Advogado sequestra irmão médico e o tortura para forçar assinatura
CRATO, CEARÁ – Um conflito familiar terminou em sequestro, tortura e extorsão na zona rural do município, na última quinta-feira (15), quando o advogado Carlos Antônio Peixoto da Silva, 54, rendeu o irmão, o cirurgião vascular Francisco Henrique Peixoto da Silva, 56, para obrigá-lo a assinar documentos sob ameaça.
- Em resumo: vítima foi mantida refém por duas horas, agredida com spray de pimenta e golpes, e teve pertences roubados.
A emboscada e a fuga frustrada
Segundo o boletim da Polícia Militar, o médico foi surpreendido e levado à força até um sítio no distrito de Monte Alverne. Sob tortura com spray de pimenta, ele assinou papéis cujo teor não foi divulgado. Após a libertação, denunciou o caso, permitindo que patrulhas localizassem o suspeito em um posto de combustíveis com a caminhonete usada no crime. Com ele estavam cartões, chave do carro da vítima, uma arma de fogo falsa e o próprio spray.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que mais de 3,7 mil ocorrências de sequestro e cárcere privado foram registradas no país em 2022, cenário que reforça a gravidade do episódio cearense.
“Fiquei duas horas sob ameaça e só fui solto depois de assinar”, relatou Francisco Henrique aos policiais, conforme o registro oficial.
Crime familiar escancara estatísticas de violência
Carlos Antônio foi autuado por sequestro, extorsão e tortura – delitos previstos, respectivamente, no artigo 148 do Código Penal e na Lei 9.455/1997, que prevê pena de até oito anos para quem submeter alguém a sofrimento físico ou mental. O agravante de parentesco pode dificultar a concessão de benefícios processuais.

O advogado já responde por porte ilegal de arma, tráfico de influência, violência doméstica e ameaça, mas permanece regularmente inscrito na OAB-CE. A reincidência, segundo especialistas, pode levar o Ministério Público a pedir prisão preventiva para assegurar a ordem pública.
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Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Militar