Alvo da PF no ‘orçamento secreto’ participa de reunião na Fazenda
Brasília-DF – A investigada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca e apontada como peça-chave no esquema do “orçamento secreto”, reapareceu em agenda oficial no Ministério da Fazenda articulada pelo líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT). O encontro ocorreu enquanto parlamentares cogitam reintegrá-la a um posto estratégico de tramitação de emendas.
- Em resumo: Mesmo sob inquérito da PF, Tuca debateu medida provisória sobre emendas com a equipe econômica.
Por que o retorno de Tuca preocupa o Congresso
A ex-servidora foi afastada em 2021, quando o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o mecanismo que movimentou R$ 19,4 bilhões em emendas do relator. Investigações apontam que ela operava os sistemas internos que destravavam pagamentos, segundo dados do Receita Federal e relatórios parlamentares.
Nesse contexto, sua presença em negociações técnicas na Fazenda reacende temores de que o antigo modelo seja redesenhado nos bastidores, agora sob novo rótulo.
“Se houve reunião, foi estritamente técnica. Lira não me pediu nada”, defendeu Guimarães ao ser questionado sobre quem patrocinou a participação de Tuca.
Impacto político e cifras em jogo
Levantamento do Tribunal de Contas da União mostra que cada R$ 1 bilhão em emendas extras eleva em até 0,02 p.p. o déficit primário da União. Ao todo, as emendas parlamentares somaram R$ 36,5 bilhões em 2023, valor superior ao orçamento anual de 11 ministérios.

Especialistas ouvidos pelo Atlas da Violência destacam que, quando mal distribuídos, recursos públicos deixam áreas sensíveis — como segurança e saúde — subfinanciadas, potencializando desigualdades regionais.
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