Após prisão, 4 novas denúncias cercam médico em Quixadá
Quixadá, CE – Menos de 48 horas após a prisão do médico e ex-professor universitário Yuri Portela, o Ministério Público do Ceará (MPCE) recebeu depoimentos de outras quatro mulheres que relatam ter sido alvo de abuso sexual e violência psicológica. Os novos relatos, colhidos em sigilo, reforçam a suspeita de que o profissional se valia da posição acadêmica para coagir alunas em troca de vantagens escolares.
- Em resumo: Número de supostas vítimas sobe para, pelo menos, cinco em apenas dois dias.
Entenda o que motivou a onda de novos relatos
Segundo promotores, a repercussão da prisão de Portela encorajou ex-alunas e pacientes a procurarem o órgão. Os depoimentos serão cruzados com provas já anexadas, como conversas de aplicativo e avaliações acadêmicas. Canais de acolhimento, como o Ligue 180, também registraram aumento de consultas no município desde a última quinta-feira.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Ceará registrou 1 825 casos de violência sexual em 2023 — média de cinco ocorrências por dia, número que reforça a subnotificação histórica desse tipo de crime.
“Toda e qualquer manifestação responsável deve observar a presunção de inocência”, frisou a defesa de Yuri Portela em nota, afirmando que só se pronunciará após acesso integral aos autos.
Do campus à delegacia: o impacto nas instituições locais
No âmbito acadêmico, a faculdade particular em que Portela lecionava suspendeu disciplinas e iniciou auditoria interna de notas e avaliações. Já a Secretaria da Segurança Pública reforçou que potenciais vítimas podem recorrer à Delegacia de Defesa da Mulher de Quixadá ou registrar boletim de ocorrência on-line.

Especialistas em direito penal lembram que o abuso de autoridade para fins sexuais se enquadra no artigo 215-A do Código Penal, cuja pena chega a cinco anos de reclusão, agravada se o autor se aproveitar de relação de superioridade hierárquica.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1