Bilhões em criptos e drones: negócios dos Trump disparam

Washington (EUA) - À frente do segundo mandato, o presidente Donald Trump vê os negócios da família alcançarem cifras recordes em criptomoedas, resorts no Golfo e uma fabricante de drones armados que mira contratos com o Pentágono, acendendo o debate sobre conflitos de interesse.

  • Em resumo: Filhos de Trump já arrecadaram mais de US$ 2 bi em tokens digitais e fecharam oito novos acordos internacionais em apenas um ano.

Criptos, drones e campos de golfe: o novo mapa dos acordos

Após vender quase metade da World Liberty Financial a investidores dos Emirados Árabes por US$ 500 milhões, Eric e Donald Jr. lançaram “tokens de governança” que sozinhos renderam US$ 2 bilhões em 2025. Para efeito de escala, o valor equivale a quase 10% das reservas cambiais diárias do Banco Central (BCB).

O portfólio ainda inclui um resort no Catar erguido por estatal local, outro no Vietnã construído após desapropriação de agricultores e o “Trump Plaza” no Mar Vermelho, parceria com grupo ligado à família real saudita. A mais nova investida é uma empresa de drones que tenta suprir tanto o Departamento de Defesa americano quanto monarquias do Golfo.

“Não acho que haja atualmente qualquer linha entre decisões políticas, cálculos políticos e o interesse da família Trump”, afirmou o historiador Julian Zelizer, da Universidade de Princeton.

Por que analistas veem risco à democracia

Especialistas em ética lembram que a Constituição dos EUA contém a Emoluments Clause, que proíbe presentes estrangeiros a ocupantes da Casa Branca, mas não impõe barreiras a investimentos privados geridos por familiares. O precedente de George W. Bush — que vendeu ações antes de assumir — foi abandonado, e pesquisadores do Pew Research Center calculam queda de 13 pontos na confiança de eleitores republicanos sobre a conduta ética de Trump desde 2024.

Além da influência externa, a coleta de recursos anônimos por meio das chamadas “moedas meme” — que já movimentaram US$ 320 milhões — dificulta a rastreabilidade de potenciais lobistas, alertam órgãos de transparência. O Atlas da Corrupção, do grupo independente Transparency International, cita a ausência de blindagens claras como fator de “alto risco institucional”.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva

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