Ceará libera 16 mil L/s do Castanhão e aciona plano emergente para 2026
Quixadá/CE – Em reunião realizada no campus do IFCE, representantes dos Comitês de Bacias, Cogerh e sociedade civil definiram as vazões dos açudes Castanhão, Orós e Banabuiú para o primeiro semestre de 2026, já prevendo um cenário de incerteza climática apontado pela Funceme.
- Em resumo: Castanhão soltará 16 mil L/s; 6 mil L/s serão desviados do Orós para garantir água à Grande Fortaleza.
Por que a decisão preocupa técnicos e usuários
Mesmo com o cenário hidrológico detalhado por dados do IBGE, a Funceme projeta 40% de probabilidade de chuvas abaixo da média entre fevereiro e abril. Isso obriga o Estado a liberar água em caráter provisório, mas mantendo margem para adiar o início da transferência caso as precipitações surpreendam.
Participaram da definição cerca de 160 pessoas, incluindo os Comitês do Baixo, Médio e Alto Jaguaribe, Banabuiú, Salgado e Região Metropolitana de Fortaleza, reforçando o modelo de gestão participativa que marca 30 anos de atuação da Cogerh.
“Vivemos um momento desafiador. Precisamos equilibrar usos e garantir segurança hídrica”, alertou Tércio Tavares, diretor de Operações da Cogerh.
Detalhe das vazões e impacto nos municípios
O Castanhão ficará responsável por 16 mil L/s, dos quais 6 mil L/s chegarão à capital via Orós a partir de 23 de fevereiro. Já o Orós entregará 8 mil L/s: 2 mil L/s atendem localidades de Orós, Icó, Quixelô, Jaguaribe, Pereiro e Jaguaretama; os outros 6 mil L/s seguem para o Castanhão. O reservatório, hoje com 1,36 bilhão m³ (70,15% de sua capacidade), acumula 108,4 milhões m³ a mais que o projetado em junho.
No Banabuiú, a vazão fixada é de 900 L/s, contemplando captação direta, perenização do rio e sistemas rurais, além de reforçar o projeto Malha d’Água – Banabuiú Sertão Central, fundamental para Banabuiú, Jaguaretama, Solonópole e Milhã.

Pelos critérios técnicos, os volumes atuais, a previsão climática e as demandas produtivas foram analisados coletivamente. Caso a quadra chuvosa falhe, novas negociações poderão ocorrer já na Reunião de Alocação de junho.
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Crédito da imagem: Divulgação