Ceará pode enfrentar 40% menos chuva entre fevereiro e abril, alerta Funceme
Fortaleza/CE – A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) divulgou nesta quarta-feira, 21 de janeiro, seu primeiro prognóstico de 2026 e acendeu o sinal amarelo: há 40% de probabilidade de precipitações abaixo da média histórica no estado durante a quadra chuvosa de fevereiro a abril – período crucial para recarga de açudes e início do plantio.
- Em resumo: Chance de chuvas abaixo do normal empata com a de normalidade (40%) e supera a de volumes acima da média (20%).
Por que o cenário preocupa agricultores e cidades
A categoria de “normalidade” usada pela Funceme leva em conta 30 anos de dados: valores inferiores a 512,5 mm já configuram anomalia. Caso a projeção se confirme, o centro-sul deve sofrer mais, enquanto o norte – especialmente áreas de serra – poderá registrar pancadas isoladas e intensas.
De acordo com levantamento do IBGE, cerca de 70% dos municípios cearenses dependem da agricultura de sequeiro; nesses locais, a renda média das famílias cai até 35% em anos de estiagem prolongada.
“Nas áreas com tendência de acumulados menores, a irregularidade pode resultar em veranicos mais longos”, alertou o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins.
Entenda os fatores oceânicos por trás da previsão
O Pacífico segue sob influência da La Niña, porém o Atlântico Equatorial mantém temperaturas próximas da média, cenário que reduz a atuação da Zona de Convergência Intertropical sobre o Nordeste. A combinação limita a formação de sistemas que normalmente empurram nuvens carregadas para o Ceará.
Esse contexto já se refletiu na pré-estação: o acumulado de dezembro e janeiro foi de apenas 32,2 mm – o terceiro pior da série histórica da Funceme. Até agora, janeiro registra 14,3 mm, valor muito aquém dos 98 mm esperados, prolongando a dependência dos 157 reservatórios monitorados pela Cogerh, atualmente com 38% de sua capacidade total.

Especialistas alertam que, se a tendência persistir, programas de irrigação deverão ser revistos e o cronograma de abastecimento humano sofrerá ajustes nas regiões mais vulneráveis. A Defesa Civil estadual já avalia planos de operação de carros-pipa para o Cariri e Sertão Central.
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Crédito da imagem: Divulgação / Governo do Ceará