O aumento das precipitações em fevereiro tem preocupado produtores de peixe do interior de São Paulo, que veem na mudança do clima uma ameaça direta à produtividade dos criatórios. O piscicultor Rafael Mazzucchelli, de Regente Feijó, monitora diariamente mais de um milhão de tilápias distribuídas em dois modelos de produção: tanques fechados, com sistema de recirculação de água (RAS), e tanques escavados a céu aberto.
Nos viveiros cobertos, o controle de temperatura e o manejo da água são facilitados. Já nas estruturas expostas, os impactos da chuva aparecem com mais intensidade. Baixas temperaturas repentinas, provocadas pela entrada de água fria, reduzem o nível de oxigênio dissolvido e afetam diretamente o apetite dos peixes. Por isso, Mazzucchelli reforça a aeração: cada tanque comporta cerca de 30 mil litros e até 700 quilos de peixe, exigindo oxigenação constante para garantir crescimento adequado e densidade maior por metro cúbico.
Além do oxigênio, a alimentação exige ajustes rápidos. Ração ofertada em excesso quando a água esfria não é totalmente consumida, elevando custos e favorecendo a decomposição orgânica, que deteriora ainda mais a qualidade do ambiente. Segundo a Embrapa, boa parte da piscicultura nacional ocorre em tanques descobertos, o que a torna mais vulnerável às variações do tempo. A recomendação, portanto, é acompanhar previsões meteorológicas e adaptar o manejo sempre que houver previsão de chuvas prolongadas.
O ponto de abate da tilápia inicia com 730 gramas, mas produtores buscam atingir um quilo para alcançar filés de melhor qualidade e valor comercial. Se o peixe não recebe oxigênio suficiente ou sofre estresse térmico, leva mais tempo para alcançar o peso ideal, comprometendo o cronograma de produção.
A 70 quilômetros dali, em Presidente Prudente, o zootecnista e proprietário de pesqueiro Haroldo Takahashi também redobra cuidados no período chuvoso. Munido de um oxímetro, o empresário mede o teor de oxigênio da água ao menos uma vez por dia. O índice deve permanecer acima de 4,5; caso caia, o apetite diminui e a mortalidade pode subir rapidamente. “Quando o nível desce muito, o peixe simplesmente para de se alimentar”, explica.
Manter a qualidade da água, adequar a ração e vigiar a previsão do tempo se tornaram tarefas diárias para reduzir riscos num setor onde o clima pesa tanto quanto a tecnologia. Em condições ideais, a tilapicultura apresenta boa rentabilidade, mas, diante de chuvas excessivas, cada descuido pode resultar em prejuízos consideráveis.
Com informações de G1
