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sábado, março 14, 2026

Chuva intensa eleva risco de perdas na criação de tilápias no interior paulista

O aumento das precipitações em fevereiro tem preocupado produtores de peixe do interior de São Paulo, que veem na mudança do clima uma ameaça direta à produtividade dos criatórios. O piscicultor Rafael Mazzucchelli, de Regente Feijó, monitora diariamente mais de um milhão de tilápias distribuídas em dois modelos de produção: tanques fechados, com sistema de recirculação de água (RAS), e tanques escavados a céu aberto.

Nos viveiros cobertos, o controle de temperatura e o manejo da água são facilitados. Já nas estruturas expostas, os impactos da chuva aparecem com mais intensidade. Baixas temperaturas repentinas, provocadas pela entrada de água fria, reduzem o nível de oxigênio dissolvido e afetam diretamente o apetite dos peixes. Por isso, Mazzucchelli reforça a aeração: cada tanque comporta cerca de 30 mil litros e até 700 quilos de peixe, exigindo oxigenação constante para garantir crescimento adequado e densidade maior por metro cúbico.

Além do oxigênio, a alimentação exige ajustes rápidos. Ração ofertada em excesso quando a água esfria não é totalmente consumida, elevando custos e favorecendo a decomposição orgânica, que deteriora ainda mais a qualidade do ambiente. Segundo a Embrapa, boa parte da piscicultura nacional ocorre em tanques descobertos, o que a torna mais vulnerável às variações do tempo. A recomendação, portanto, é acompanhar previsões meteorológicas e adaptar o manejo sempre que houver previsão de chuvas prolongadas.

O ponto de abate da tilápia inicia com 730 gramas, mas produtores buscam atingir um quilo para alcançar filés de melhor qualidade e valor comercial. Se o peixe não recebe oxigênio suficiente ou sofre estresse térmico, leva mais tempo para alcançar o peso ideal, comprometendo o cronograma de produção.

A 70 quilômetros dali, em Presidente Prudente, o zootecnista e proprietário de pesqueiro Haroldo Takahashi também redobra cuidados no período chuvoso. Munido de um oxímetro, o empresário mede o teor de oxigênio da água ao menos uma vez por dia. O índice deve permanecer acima de 4,5; caso caia, o apetite diminui e a mortalidade pode subir rapidamente. “Quando o nível desce muito, o peixe simplesmente para de se alimentar”, explica.

Manter a qualidade da água, adequar a ração e vigiar a previsão do tempo se tornaram tarefas diárias para reduzir riscos num setor onde o clima pesa tanto quanto a tecnologia. Em condições ideais, a tilapicultura apresenta boa rentabilidade, mas, diante de chuvas excessivas, cada descuido pode resultar em prejuízos consideráveis.

Com informações de G1

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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