Cid desafia Ciro e admite buscar reeleição ao Senado em 2026

FORTALEZA/CE – Em declaração que sacudiu a sucessão estadual, o senador Cid Gomes (PSB-CE) admitiu, na última segunda-feira (20), que pode buscar a reeleição ao Senado em 2026. A fala, concedida à TV News Cariri, confronta a narrativa anterior de que ele ficaria fora da disputa e coloca pressão direta sobre o irmão Ciro Gomes (PSDB-CE), cotado para concorrer ao Governo do Ceará.

  • Em resumo: Cid condiciona sua candidatura à entrada de Ciro na corrida ao Palácio da Abolição e questiona se o irmão “trairia” aliados para apoiá-lo.

Por que a fala muda o xadrez de 2026

O Ceará terá duas vagas em disputa no Senado em 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada estado elege três senadores, renovando um terço ou dois terços da bancada a cada quatro anos. Caso Cid confirme a candidatura, ele entrará em um embate direto por uma dessas cadeiras, alterando o cálculo de alianças e chapas majoritárias.

Nos bastidores, líderes partidários já projetam cenários que envolvem palanques cruzados. Se Ciro encabeçar a chapa ao governo, a coligação precisará acomodar dois postulantes ao Senado – um deles, possivelmente, o próprio Cid. A dúvida lançada por ele, “será que Ciro vai trair um dos dois para votar em mim?”, expõe o risco de racha familiar e partidário.

“Eu estou em uma aliança histórica que vem desde a minha eleição para governador e, obviamente, votarei no governador Elmano.” – Cid Gomes

Aliança com Elmano resiste ao possível racha familiar

Mesmo sugerindo um duelo eleitoral com o irmão, Cid reforçou fidelidade ao governador Elmano de Freitas (PT). A união entre PT e PSB, costurada ainda em 2006, garantiu governabilidade a sucessivos gestores e foi decisiva para eleger Elmano em 2022. Analistas lembram que, de acordo com o Atlas da Política Brasileira, coalizões duradouras tendem a reduzir a fragmentação partidária e aumentar a probabilidade de aprovação de projetos no Legislativo.

Historicamente, o clã Ferreira Gomes domina a política cearense desde os anos 1990, ocupando simultaneamente cargos de governador, senador e ministro. A eventual disputa direta entre irmãos, porém, seria inédita e levantaria dúvidas sobre o controle do grupo sobre prefeitos e deputados aliados. Em 2018, Cid foi eleito senador com 3,3 milhões de votos, cerca de 41% do eleitorado, margem que o coloca entre os mais votados do país.

O que você acha? A entrada de Cid na corrida ao Senado fortalece ou enfraquece o projeto político da família? Para acompanhar as próximas movimentações, acesse nossa editoria de Política.



Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino

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