FORTALEZA-CE – Dados divulgados nesta quarta-feira (15) pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) mostram que, embora 26 açudes estejam sangrando, o Ceará armazena apenas 47,18% do seu volume total de água, algo que pode redefinir o planejamento de abastecimento para o segundo semestre.
- Em resumo: 8,66 bilhões de m³ guardados; Sertões de Crateús e Médio Jaguaribe seguem em alerta.
Por que alguns reservatórios transbordam enquanto outros secam
O fenômeno reflete a distribuição irregular das chuvas: parte das bacias foi favorecida pelas precipitações de março e abril, enquanto regiões do sertão quase não viram água cair. Levantamento do IBGE aponta que, nos últimos dez anos, 62% das cidades cearenses enfrentaram ao menos um episódio crítico de falta d’água.
Entre os reservatórios cheios, chama atenção o Açude Orós, segundo maior do estado, que voltou a verter após três anos. Araras, Forquilha, Trussu, Mundaú e Gavião também superaram 70% da capacidade – número considerado “confortável” pelos técnicos.
No total, o estado acumula 8,66 bilhões de metros cúbicos de água, o que corresponde a 47,18% da capacidade total de armazenamento.
Interior vive situação oposta e requer plano emergencial
Nas bacias dos Sertões de Crateús (19,6%), Médio Jaguaribe (26,7%) e Banabuiú (28,5%), a escassez pressiona pequenos produtores e sistemas de abastecimento rural. A Secretaria de Recursos Hídricos estuda antecipar acionamento de adutoras móveis e perfuração de poços, medida prevista no Plano Estadual de Convivência com a Seca.

Especialistas lembram que, em 2015, o Ceará operava com 12% da capacidade e precisou implantar rodízio em 42 municípios. A manutenção de volumes acima de 40% é vista como linha de segurança para evitar cortes drásticos no consumo urbano.
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