Cuba zera estoque e corta combustível de aviões já na terça
HAVANA, Cuba – A aviação civil cubana avisou que, a partir de 0h de terça-feira (10), nenhum aeroporto do país terá querosene disponível, obrigando voos de longa distância a pousarem em outro destino para reabastecer. O corte reflete a pior crise energética da ilha desde o fim da URSS e escancara a urgência de medidas para poupar cada gota de combustível.
- Em resumo: voos internacionais terão de fazer escala e serviços internos operam no limite do estoque.
Por que o querosene sumiu tão rápido?
Mais de 50% do petróleo consumido por Cuba vinha da Venezuela até 2023, segundo a Agência Internacional de Energia. Com as sanções dos Estados Unidos endurecidas em janeiro, Caracas interrompeu o envio e o México, outro fornecedor recente, seguiu o mesmo caminho.
Sem a matéria-prima, refinarias locais reduziram a produção e o querosene foi o primeiro derivado a acabar. As poucas reservas restantes serão redirecionadas a hospitais e geradores de eletricidade.
“A aviação civil cubana notificou todas as companhias de que não haverá mais abastecimento de Jet Fuel a partir de terça-feira”, comunicou uma companhia aérea europeia.
Impacto imediato para passageiros e economia
A Air France confirmou que manterá o voo Paris-Havana, mas com escala técnica em outro país do Caribe. Outras companhias estudam alternativas, já que pousar fora da rota aumenta o tempo de viagem, o custo operacional e o preço das passagens.
Internamente, o governo reduziu a jornada das repartições públicas para quatro dias, encurtou aulas nas escolas e determinou novo racionamento de ônibus e trens. A prioridade é garantir eletricidade e a produção de alimentos, setores que demandam diesel para tratores e geradores.

Economistas lembram que o turismo, responsável por cerca de 10% do PIB cubano antes da pandemia, ficará ainda mais pressionado. Em 2022, o setor já havia encolhido 45% em relação a 2019, de acordo com dados oficiais divulgados em Havana.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
