Delegado cearense pode perder cargo por tortura psicológica
Fortaleza, CE – A Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) instaurou, recentemente, um processo administrativo disciplinar contra o delegado Paulo André Maia Cavalcante e três inspetores que atuavam em Maracanaú. O grupo é acusado de tortura psicológica, prisões forjadas e corrupção passiva durante operações de 2020.
- Em resumo: Processo pode culminar na demissão dos quatro policiais civis se todas as suspeitas forem confirmadas.
Como a investigação avançou
Os agentes trabalhavam no 20° Distrito Policial, no bairro Acaracuzinho. Desde a Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará em outubro de 2020, eles respondem por usurpação de função pública, coerção de testemunhas e até crime eleitoral.
Na esfera interna da CGD, a apuração segue ritos de um julgamento formal: instrução, oitivas e sentença. Entre as acusações específicas estão prevaricação, violação de domicílio e associação criminosa. De acordo com dados do Atlas da Violência, o Ceará registrou 271 vítimas de intervenções policiais em 2022, o que pressiona órgãos de controle a agir com maior rigor.
“Todos os esclarecimentos serão prestados e ficará demonstrada a licitude da conduta”, afirmou a defesa do delegado Paulo André.
Punições possíveis e impacto para a segurança pública
Se considerados culpados, os quatro policiais podem receber sanções que vão de suspensão ao desligamento definitivo do serviço público. O processo criminal, que corre em segredo de Justiça, pode ainda resultar em penas de reclusão.

Especialistas lembram que o afastamento de agentes envolvidos em práticas abusivas é crucial para restaurar a confiança na Polícia Civil. Levantamento da CGD aponta que, só em 2023, 38 servidores da segurança estadual sofreram penalidades graves, sinalizando tolerância zero com violações de direitos.
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Crédito da imagem: Reprodução / G1