Explosivos, armas e banimento dos estádios: MP cerca torcidas
FORTALEZA/CE – Na manhã da última terça-feira (27), o Ministério Público do Ceará (MPCE) deflagrou a terceira fase da Operação “Apito Final” e cumpriu 30 mandados de busca em bairros da capital e em Maracanaú. Além da apreensão de celulares, HDs e computadores, os investigados, ligados a torcidas organizadas de Ceará e Fortaleza, estão proibidos de pisar em qualquer evento esportivo dos respectivos clubes.
- Em resumo: Grupo é suspeito de planejar ataques com explosivos e portar armas de fogo em dias de clássicos.
Como funcionava o esquema violento
De acordo com o Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), mensagens coletadas nas fases anteriores revelam a logística de emboscadas a torcedores rivais, uso de carros clandestinos e confecção caseira de artefatos explosivos. Todo o material agora passará por perícia da Polícia Civil do Ceará (PCCE), enquanto os promotores analisam a eventual participação de dirigentes das torcidas.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, somente em 2023, o Brasil registrou 42 episódios graves de violência em estádios, número 24% maior que no ano anterior. O Ceará apareceu entre os cinco estados com maior reincidência.
“Os suspeitos fabricavam artefatos explosivos e utilizavam armas de fogo em situação irregular.”
Risco para o torcedor comum e próximos passos
Além de tumulto e associação criminosa, o MPCE apura possíveis crimes de homicídio e lesão corporal grave seguidos de morte. Caso a denúncia seja aceita, as penas podem ultrapassar 30 anos de reclusão somadas, segundo o Código Penal.

A ofensiva também reacende o debate sobre a Lei nº 13.912/19, que prevê cadastro nacional de torcidas organizadas e punições coletivas. Até agora, apenas 11 dos 27 estados alimentam o sistema em tempo real, deixando brechas para deslocamentos interestaduais de grupos violentos.
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Crédito da imagem: Divulgação / MPCE