Facção evangélica vira terceira força do crime no Brasil
Facção evangélica vira terceira força do crime no Brasil – A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) identifica o Terceiro Comando Puro (TCP) como a mais nova potência do crime organizado nacional, após avançar para nove estados além do Rio de Janeiro.
O grupo, que adota símbolos e retórica neopentecostal, começou a marcar presença recente no Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Amapá, Acre, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, tornando-se rival direto de Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Estratégia de expansão e alianças locais
Diferente de outras facções, o TCP prioriza acordos com grupos regionais para acelerar seu território. No Ceará, associou-se aos Guardiões do Estado (GDE), facção que perdeu força após sucessivas prisões, mas ainda influencia a Região Metropolitana de Fortaleza.
Relatórios da Polícia Civil cearense indicam a prisão de 37 integrantes do TCP desde setembro. Mesmo assim, pichações com a estrela de Davi e frases como “Jesus é dono do lugar” surgiram em bairros de Maracanaú, evidenciando a consolidação da parceria criminosa.
Violência e intolerância religiosa em ascensão
A chegada do TCP coincide com o fechamento de terreiros de umbanda e ataques a provedores de internet. Pesquisadores alertam que o discurso religioso do chamado “narcopentecostalismo” legitima a guerra contra facções associadas a religiões de matriz africana.
Segundo o Atlas da Violência 2024, o Ceará apresenta três cidades entre as dez mais letais do país, tendência que pode piorar caso a disputa com o CV se intensifique.
Riscos para segurança pública
Especialistas da Universidade Federal do Ceará destacam que portos, aeroportos e a posição geográfica estratégica do estado favorecem o escoamento de drogas e armas. A combinação de pobreza persistente e crescimento econômico desigual alimenta a oferta de “mão de obra” para as facções.

Autoridades monitoram o potencial de extorsão em comunidades, prática que o TCP já reproduz no Rio de Janeiro ao lado de milícias. Em novembro, três suspeitos foram presos em Maracanaú após cobrarem porcentagem de vendedores ambulantes.
Até o momento, a Polícia Militar reforçou patrulhamento em áreas conflagradas, mas organizações civis relatam aumento do medo entre moradores, sobretudo adolescentes, que evitam sair de casa à noite para não ficar no fogo cruzado.
No curto prazo, analistas acreditam que a intensidade dos confrontos dependerá da resposta do Estado e de eventuais tréguas entre os rivais. A médio prazo, o uso de discurso religioso como ferramenta de coesão interna pode atrair novos adeptos, inclusive dentro do sistema prisional, onde 43% dos detentos cearenses já se declaram evangélicos.
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