Facção racha no CE: presos 'Shoyo' e 'Boladinho' após homicídio

Facção racha no CE: presos ‘Shoyo’ e ‘Boladinho’ após homicídio

FORTALEZA (CE) – A Polícia Civil do Ceará prendeu dois suspeitos envolvidos no assassinato de Mauro Cesar da Silva Oliveira Filho, ocorrido em 16 de fevereiro de 2025, no Jacarecanga. O crime, cometido sem autorização da cúpula, provocou fissuras numa facção com braços no Rio de Janeiro e acirrou a disputa por território na capital.

  • Em resumo: Execução não autorizada gera racha interno e coloca autores na mira da própria facção.

Como o crime detonou a ruptura interna

Equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa cumpriram mandados de prisão preventiva contra Francisco Bruno Silva Soares, o “Shoyo”, e José Ronald do Nascimento, o “Boladinho”. A investigação aponta que o homicídio foi planejado por membros de base, contrariando ordens de liderança conhecida como “Fiel”.

Segundo o Atlas da Violência 2023, disputas internas respondem por parte significativa dos 47,3 mil homicídios anuais no país, tendência que se repete no Ceará.

“A execução teria sido realizada sem aval da liderança”, destaca relatório do DHPP, classificando o ato como erro estratégico que “extrapolou fronteiras da organização”.

Pressão, retaliações e segundo assassinato

Após a morte de Mauro Cesar, faccionados ligados ao Rio exigiram retaliações. A cúpula recuou, isolando os executores. Como “punição”, Shoyo e Boladinho teriam recebido ordem para eliminar “Mofo”, liderança do vizinho Pirambu, aprofundando o racha.

Analistas de segurança lembram que ações desse tipo sobrecarregam o sistema penal cearense, que já tem superlotação de 97%, e ampliam a violência em bairros com menor Índice de Desenvolvimento Humano.

Próximos passos da investigação

O DHPP ainda busca identificar um adolescente e um suspeito apelidado de “Pedro Doido”, já preso em outro inquérito por crime bárbaro. O objetivo é mapear a cadeia de comando que autorizou – ou silenciou diante – das execuções em série.

A polícia trabalha com a hipótese de disputa por poder e controle de pontos de tráfico. No último ano, Fortaleza registrou 1.341 homicídios, dos quais 32% ocorreram em zonas sob influência direta de facções, de acordo com dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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Crédito da imagem: Divulgação / PCCE

Vinicius Balbino

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