Ferramenta de R$ 250 mil quebra senha de celular e expõe segredos

Polícia Federal – A análise forense de smartphones tem se tornado o ponto de partida de megainvestigações, como a que desvendou suposta lavagem de R$ 1,6 bilhão na última quarta-feira (15). O acesso a conversas e documentos via extração direta do aparelho e de serviços em nuvem está redefinindo as estratégias de combate ao crime financeiro e cibernético no país.

  • Em resumo: softwares que custam até R$ 250 mil por ano burlam senhas e restauram chats apagados, inclusive no WhatsApp.

Da nuvem ao cabo USB: o passo a passo da coleta

Com mandado judicial em mãos, peritos solicitam dados ao iCloud e ao Google Drive ou usam o próprio celular desbloqueado do suspeito. Entre janeiro e junho de 2025, o Google recebeu 38.290 pedidos e forneceu informações em 77% dos casos; a Apple atendeu a 79% de 7.592 solicitações, segundo relatórios de transparência citados pelo Atlas da Violência.

Quando a senha não é entregue, entram em cena dispositivos como o israelense Cellebrite UFED e o norte-americano Magnet Greykey. Conectados por USB, eles exploram vulnerabilidades do sistema para acessar bancos de dados internos, indo muito além do que o usuário enxerga na tela.

“Esse mecanismo de desbloqueio funciona literalmente como hackear o celular”, explicou Marcos Monteiro, presidente da Associação Nacional dos Peritos em Computação Forense (Apecof).

Quatro camadas de extração e o risco para a privacidade

Os especialistas classificam o processo em níveis: lógico, lógico avançado, sistema de arquivos e físico. Na etapa física, mensagens consideradas “apagadas” podem ressurgir porque ainda ocupam espaço não sobrescrito na memória.

O avanço dessas técnicas ocorre em paralelo a números recordes de crimes cibernéticos. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima crescimento de 80% nas fraudes digitais entre 2020 e 2024. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) garante que qualquer acesso seja respaldado por ordem judicial, mas, na prática, a criptografia de ponta a ponta do WhatsApp e o armazenamento padrão do Telegram em nuvem viraram alvos preferenciais dos peritos.

Licenças anuais que chegam a US$ 50 mil (cerca de R$ 250 mil) restringem esses softwares a laboratórios oficiais, reforçando a dependência de tecnologia estrangeira para perícias no Brasil.

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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino

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