Festa em falésias de Canoa Quebrada gera alerta ambiental
Falésias de Canoa Quebrada – Desde 27 de dezembro, um evento de Réveillon com DJs e open bar ocupa a Área de Proteção Permanente (APP) do litoral de Aracati, no Ceará, atraindo grande público até 2 de janeiro.
Ambientalistas acusam a organização de aumentar a vulnerabilidade da costa, enquanto o município garante que o licenciamento segue normas federais, estaduais e municipais.
Estruturas móveis x fragilidade do solo
Os coletivos Imersa Mundo e Canoa Quebrada Cultural afirmam que palco, tendas e circulação de milhares de pessoas provocam vibrações que aceleram a erosão das falésias, formadas por depósitos de argila e areia pouco compactados.
Estudos citados no Plano de Contingência para Falésias do Ceará apontam que trechos de Canoa Quebrada apresentam risco de colapsos repentinos, agravados em período chuvoso. A Resolução 303 do Conama determina faixa mínima de 100 m de proteção a partir da borda.
Licença ambiental e medidas de mitigação
A Prefeitura de Aracati informa que o Instituto de Qualidade do Meio Ambiente classificou o Cardume NYE como atividade de baixo potencial poluidor, impondo limite de uma pessoa a cada 16 m² e recuo obrigatório das falésias.
Entre as condições estão: estruturas reversíveis, isolamento do solo, coleta seletiva, banheiros ecológicos e recuperação integral da área após o evento. A organização garante inspeções diárias e diálogo com moradores.

Impacto econômico local
Ingressos de até R$ 2.100 impulsionam a cadeia turística em plena alta estação. Segundo o Ministério do Turismo, a região de Aracati recebeu mais de 350 mil visitantes em 2023, injetando cerca de R$ 280 milhões na economia local.
Com expectativa de lotação hoteleira superior a 90% na virada, comerciantes comemoram o movimento, enquanto ambientalistas pedem alternativas menos invasivas para a próxima edição.
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Crédito da imagem: Divulgação
