PARIS - A FIA abriu a temporada de debates sobre o regulamento de unidades de potência de 2031 com um alerta: a Fórmula 1 não pode mais depender do humor das montadoras, sob risco de colapso técnico e financeiro.
- Em resumo: Federação quer regras que garantam motores mesmo se grandes marcas abandonarem a categoria.
Por que a FIA teme a fuga de fabricantes
Nas últimas duas décadas, nomes de peso como Toyota (2009) e Honda (2021) já deixaram a F1, gerando instabilidade no grid. O temor é repetir o cenário que quase paralisou a categoria na virada dos anos 2010. Segundo um levantamento da Anfavea, o investimento global das montadoras em P&D caiu 7% em 2023, reflexo direto da migração lenta — e cara — para elétricos.
Para Nikolas Tombazis, diretor técnico de monopostos, a regra precisa blindar a competição caso outro fabricante saia de cena no meio do ciclo.
“Não podemos ser reféns das empresas automotivas decidindo se querem ou não estar na Fórmula 1. Queremos que participem, mas não podemos ficar vulneráveis a essas decisões”, disse Tombazis.
2031: custo, sustentabilidade e independência
O cronograma prevê decisões até 2026, pois o desenvolvimento de um motor leva, em média, cinco anos. A meta é manter o uso de combustível 100% sustentável — introduzido em 2026 —, mas reduzindo o custo anual, hoje estimado em US$ 145 milhões, para algo abaixo de US$ 120 milhões, segundo projeções internas.
Além de atrair novas empresas de tecnologia, a FIA estuda licenças de uso compartilhado: equipes independentes poderiam comprar motores padronizados se ficarem órfãs de fornecedores, fórmula inspirada no antigo “Cosworth” que dominou os anos 1970.
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