Grisalhas no topo: mercado de luxo mira mulheres 50+
PARIS – Desfiles recentes colocaram cabelos grisalhos na primeira fila e escancaram uma virada estratégica: grifes globais querem seduzir consumidoras acima dos 50 anos, faixa etária que movimenta boa parte do faturamento do setor.
- Em resumo: Chanel, Gucci e outras gigantes alçaram modelos 50+ ao estrelato para atrair um público com alto poder de compra.
Por que as passarelas ficaram mais maduras?
Quando Matthieu Blazy abriu o desfile de alta-costura da Chanel com a francesa Stéphanie Cavalli, 50 anos, a mensagem foi clara: experiência agora é sinônimo de desejo. A decisão ecoou em marcas como Jacquemus, que elegeu Pamela Anderson e sua avó Liline (79) como musas, e na Gucci, que colocou Kate Moss, 52, para encerrar a apresentação.
Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, mulheres entre 50 e 65 anos já respondem por quase 30 % dos gastos anuais com roupas e acessórios no Brasil, índice que ajuda a explicar o novo foco das grifes.
“Mulheres mais velhas trazem uma dimensão diferente às roupas. Elas viveram, viram o mundo”, justificou Blazy ao The New York Times.
O risco da “nova” pressão estética
Especialistas em comportamento alertam para um efeito colateral: embora a diversidade etária pareça libertadora, as marcas ainda escolhem perfis magros e com traços considerados “perfeitos”. Para a crítica Sophie Fontanel, o perigo é trocar o culto à juventude pelo culto ao envelhecer sem rugas.

A psicóloga francesa Marie-Claire Dufour lembra que, na década de 1990, a pressão recaía sobre a silhueta adolescente; agora, pode recair sobre a sexagenária “sem defeitos”. Ela cita estudos da Universidade de Oxford apontando que imagens publicitárias influenciam a autoestima em até 60 % dos casos analisados.
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Crédito da imagem: Divulgação
