Hiperconectividade afeta saúde mental, alerta psicóloga
Hiperconectividade afeta saúde mental, alerta psicóloga – O uso intenso de celulares e a pressão por desempenho constante estão entre os principais gatilhos para o adoecimento emocional, aponta a psicóloga clínica Ana Grasieli Lustosa em entrevista recente.
A especialista explica que saúde mental não significa ausência de sofrimento, mas a capacidade de lidar com emoções sem entrar em colapso. Sentimentos como tristeza, raiva e ansiedade têm função adaptativa; o problema surge quando se tornam excessivos e prolongados.
Produtividade tóxica e “adoecimento silencioso”
A psicóloga descreve um quadro recorrente em consultório: pessoas que mantêm rotina produtiva, porém sentem esgotamento profundo não verbalizado. A cultura de metas ininterruptas e a ideia de “estar sempre bem” alimentam esse sofrimento oculto.
Pesquisa da Organização Mundial da Saúde indica que transtornos de ansiedade e depressão custam à economia global cerca de US$ 1 trilhão ao ano em perda de produtividade, reforçando a necessidade de equilíbrio segundo o Ministério da Saúde.
Excesso de telas amplia comparação e ansiedade
Para Ana Grasieli, o cérebro não foi preparado para o volume de estímulos digitais atuais. Notificações constantes facilitam a comparação com padrões irreais de sucesso e felicidade, aumentando a sensação de inadequação.
Sinais de alerta incluem a nomofobia — medo de ficar desconectado — e o hábito de olhar o celular ao acordar ou durante refeições. Pausas intencionais, especialmente à noite, ajudam a regular a produção de melatonina e melhorar o sono.
Dicas práticas para reduzir impactos
A especialista recomenda ações simples: estabelecer horários sem aparelho, priorizar a qualidade do conteúdo consumido, praticar respirações conscientes e buscar falar sobre sentimentos com pessoas de confiança ou profissional.

Mulheres, sobrecarregadas por dupla jornada, tendem a apresentar mais diagnósticos de depressão. Já homens costumam procurar terapia apenas em crise, interrompendo o acompanhamento precocemente. A psicóloga reforça que tratamento médico e psicoterápico é prevenção, não último recurso.
Com a aproximação do fim de ano, momento marcado por balanços pessoais e reuniões familiares, a “dezembrite” pode intensificar cobranças. Reduzir comparações, aceitar emoções e dividir preocupações são estratégias para atravessar esse período com mais equilíbrio.
No contexto regional e nacional, iniciativas de atenção psicossocial estão disponíveis pelo SUS, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que oferecem atendimento gratuito e multidisciplinar.
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Crédito da imagem: Divulgação
