Justiça torna réus 101 torcedores por violência no Clássico-Rei
Fortaleza/CE – A Justiça cearense aceitou a denúncia do Ministério Público e transformou em réus 101 torcedores envolvidos nos confrontos que antecederam o primeiro Clássico-Rei da temporada, em 8 de fevereiro. A decisão abre caminho para que eles respondam a um processo criminal que pode resultar em penas somadas de mais de dez anos de prisão.
- Em resumo: Acusados respondem por associação criminosa armada, lesão grave e corrupção de menores.
Como a acusação foi construída
Segundo o MPCE, câmeras de segurança, depoimentos e relatórios da Polícia Militar sustentam que os réus coordenaram ataques em vários bairros poucas horas antes da partida entre Ceará Sporting Club e Fortaleza Esporte Clube. A investigação aponta uso de barras de ferro, pedras e artefatos explosivos artesanais.
Os promotores citam ainda possível elo entre torcidas e facções locais, tese reforçada por dados do Atlas da Violência que relacionam grupos organizados de fãs a crimes patrimoniais e homicídios em capitais do Nordeste.
“Foram identificados núcleos estruturados que se valeram de menores para aumentar o poder de agressão”, diz trecho da denúncia aceita pela 19ª Vara Criminal.
O que pode acontecer agora
Os 101 réus deverão ser citados para apresentar defesa. Se condenados por associação criminosa armada (art. 288-A do Código Penal) e por incitar tumulto conforme o Estatuto do Torcedor (Lei 10.671/2003), podem pegar até 12 anos de prisão e serem proibidos de frequentar estádios por cinco anos.

As brigas mobilizaram mais de 350 detenções no dia do clássico, a maior operação policial em eventos esportivos no Ceará desde 2015. Para especialistas, episódios desse porte afetam não só a segurança pública, mas também a economia local: cada jogo do Clássico-Rei injeta cerca de R$ 5 milhões em serviços, valor que se reduz quando há temor de violência.
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Crédito da imagem: Divulgação / PMCE
