Lagoinha do Belmonte tem volume reduzido e alarma trilheiros
Lagoinha do Belmonte – O tradicional açude encravado na encosta da Chapada do Araripe, no Crato, perdeu mais da metade do volume de água no fim de dezembro, segundo frequentadores.
A baixa repentina já inviabiliza mergulhos e afugenta turistas que percorrem cerca de 3 km de trilha sombreada para chegar ao ponto principal do passeio.
Queda no nível muda paisagem e experiência
Fotos feitas em dezembro de 2024 e no último Natal mostram diferença evidente: onde antes a água cobria um tronco de referência, agora mal ultrapassa a cintura de um adulto de 1,80 m.
Guia de turismo que atua há anos na região relata que a Lagoinha virou “barreiro” e já foi registrado peixe morto, sinal de desequilíbrio ambiental.
Captação, vandalismo e apelo por gestão
Ao longo da trilha, trilheiros identificaram vários canos de captação. O maior pertence à SAAEC, estatal responsável pelo abastecimento do Crato, que garante operar “dentro da autorização legal” e aponta um suposto ato de vandalismo que teria rompido a pequena barragem.
Até a última atualização, não havia informações sobre boletim de ocorrência nem reparo conclusivo na estrutura.

Contexto hidrológico e risco à biodiversidade
De acordo com dados do IBGE, as áreas do semiárido nordestino já registram redução média de 12 % na disponibilidade hídrica na última década, pressão que se agrava em ambientes de altitude como a Chapada do Araripe.
A Lagoinha integra o Refúgio de Vida Silvestre Soldadinho-do-Araripe, criado em 2025 para proteger a ave endêmica e criticamente ameaçada. Especialistas temem que a perda de água comprometa o ecossistema úmido indispensável à espécie.
Para mais informações sobre as questões ambientais e acontecimentos no interior do estado, acesse nossa editoria Ceará.
Crédito da imagem: Divulgação
