Lapinhas no Cariri mantêm viva tradição de Natal
Lapinhas no Cariri mantêm viva tradição de Natal – Na região do Cariri, no sul do Ceará, famílias inteiras se unem para encenar o nascimento de Jesus em presépios vivos que atravessam gerações.
As apresentações começam no Advento e se estendem até 6 de janeiro, Dia de Reis, quando o ritual da “queima da lapinha” encerra o ciclo natalino.
Centenário da Lapinha Santa Clara inspira novas gerações
Fundada em 1912 sob orientação do Padre Cícero, a Lapinha Santa Clara, em Juazeiro do Norte, chega a 113 anos de atividade contínua.
Hoje coordenada por Damião Felipe, viúvo da mestra Vanda Pereira da Silva, o grupo reúne cerca de 30 brincantes e percorre sete igrejas da região, levando música, dança e orações.
No Crato, a mestra da cultura Zulene Galdino, 76, ensaia crianças e adolescentes no terreiro de casa para manter viva a tradição recebida da mãe. “O presépio vivo é a história mais linda do mundo”, resume.
Origem e significado da manifestação folclórica
Segundo o folclorista Luís da Câmara Cascudo, “lapinha” é sinônimo popular de presépio, aludindo à gruta (“lapa”) onde, de acordo com o Protoevangelho de Tiago, Jesus nasceu.
Na encenação caririense, além de Jesus, Maria e José, entram em cena anjos, pastores, animais e astros celestes. A Lapinha Santa Clara acrescenta dois personagens únicos: um romeiro representando o Padre Cícero e a própria Santa Clara de Assis.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconhece o pastoril como uma das expressões tradicionais do Natal brasileiro, destacando sua função de transmissão de valores religiosos e comunitários. Mais detalhes podem ser encontrados no site do Iphan.
Com o período de férias escolares, a agenda de apresentações se intensifica e atrai jovens como Lucas Eduardo Gomes Lima, 19, que toca zabumba, e Maria Geovana Santos, 13, orgulhosa de representar um anjo no palco popular.
Para fortalecer a cultura local, educadores sugerem que escolas incorporem oficinas de lapinha ao currículo de artes, estimulando pesquisa histórica e participação estudantil.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1