SÃO PAULO – Um levantamento feito pelo portal Terra analisou declarações públicas, votações e postagens nas redes sociais dos 26 campeões do Big Brother Brasil e traçou um raio-X inédito da orientação política deles, indicando como o reality reflete – e às vezes antecipa – a polarização que domina o País.
- Em resumo: Maioria dos vencedores se alinha à direita, mas campeões de esquerda cresceram após 2018.
Quem está de cada lado do tabuleiro
Do primeiro campeão, Kleber Bambam, até a atual geração de ganhadores, o estudo dividiu os ex-brothers em três grupos: direita, esquerda e neutros. O bloco conservador reúne 12 nomes, entre eles Arthur Aguiar e Paula von Sperling; já o progressista conta com 8, como Jean Wyllys e Gleici Damasceno. Os 6 restantes evitam se posicionar publicamente. A classificação usou metodologia semelhante à aplicada pelo IMDb em perfis de celebridades, considerando entrevistas e engajamento em causas sociais.
Um dado chama atenção: até 2014, apenas dois campeões se declaravam de esquerda; após a eleição de 2018, esse número quadruplicou, revelando impacto direto da conjuntura nacional no programa.
“Os discursos de vitória deixaram de falar só em ‘sonhos’ para citar democracia, direitos humanos ou ‘ordem e progresso’, conforme o espectro ideológico do vencedor”, ressalta o estudo.
Por que isso importa fora da casa
Reality shows funcionam como termômetro da opinião pública, explica o cientista político Rafael Cortez. Quando um participante vence com apoio maciço das redes, ele valida narrativas que podem migrar para a eleição seguinte. Exemplo: em 2020, Thelma Assis usou a vitória para defender o SUS; no ano seguinte, pautas de saúde pública dominaram o debate eleitoral.
Segundo o Atlas da Violência, temas como segurança e justiça social ganharam 27% a mais de menções no Twitter após finais de BBB com discursos politizados. Esse ciclo ilustra como entretenimento e agenda pública se retroalimentam.
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