Lista sigilosa liga Júnior Mano a esquema do ‘orçamento secreto’
Brasília/DF – Uma planilha interna, revelada neste domingo (18) pelo jornal O Globo, recolocou o deputado cearense Júnior Mano (PSB) no foco das investigações sobre suposto desvio de verbas do orçamento secreto, mecanismo de distribuição de emendas de relator marcado pela falta de transparência.
- Em resumo: Articuladora mantinha lista de pagamentos que priorizava indicações de Júnior Mano, Rogério Marinho e Josimar Maranhãozinho.
Como funcionava a liberação das verbas
A articuladora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, cobrava parlamentares e intermediava o desbloqueio de emendas, segundo a reportagem. O documento mostra que as indicações de Júnior Mano estavam entre as prioridades para pagamento, prática que, de acordo com relatório do Banco Central, expõe o orçamento a riscos de uso político.
Além do cearense, aparecem na mesma lista emendas ligadas a Rogério Marinho (PL-RN) e Josimar Maranhãozinho (PL-MA), este último já réu na Justiça por suspeita de peculato.
“Tuca dizia atuar em nome de lideranças da Câmara, incluindo o então presidente Arthur Lira, em período em que o governo federal segurava verbas como moeda de negociação”, destaca a reportagem.
Por que isso importa para o contribuinte
Entre 2020 e 2022, mais de R$ 16 bilhões foram distribuídos via emendas de relator (RP9), valor que supera o orçamento anual de vários ministérios. Especialistas alertam que, sem critérios técnicos e transparência, a prática distorce prioridades de investimento público.

O Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional a falta de publicidade desses repasses, mas os inquéritos que miram cada parlamentar continuam a depender de provas documentais, como a planilha atribuída a “Tuca”. Todos os citados negam irregularidades.
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