Luxuoso Audi escondia ‘Mounjaro fake’ do Paraguai, alerta PRF
Caucaia (CE) – Na tarde da última segunda-feira (26), a Polícia Rodoviária Federal interceptou um Audi A4 na BR-020 e desmantelou o que descreve como uma cadeia clandestina de distribuição de tirzepatida, princípio ativo do “Mounjaro”, contrabandeado do Paraguai para Fortaleza.
- Em resumo: seis canetas injetáveis e 42 ampolas de tirzepatida viajavam sem refrigeração, ao lado de comprimidos de sildenafilo e 72 agulhas.
Rota clandestina exposta
O veículo, emplacado no Rio Grande do Sul, foi parado no km 402 no sentido interior-capital. Dentro de um pacote lacrado com fitas, agentes acharam os medicamentos sem rótulo em português, sem nota fiscal e fora da chamada cadeia fria. De acordo com dados da PRF, esse tipo de apreensão cresceu 38% no país em 2023, impulsionado pela busca por remédios de emagrecimento.
O motorista, 40 anos, confessou ter adquirido a carga em Foz do Iguaçu (PR) por meio de atravessadores de fronteira. Ele já tinha antecedente por contrabando e agora responderá novamente pelo artigo 334-A do Código Penal, cuja pena pode chegar a 5 anos.
“Medicamentos à base de tirzepatida exigem cadeia de refrigeração para manter a estabilidade e a segurança do produto.”
Risco sanitário e impacto ao consumidor
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autoriza a venda de tirzepatida para emagrecimento no Brasil. Segundo a autarquia, produtos falsificados costumam conter doses irregulares que podem provocar hipoglicemia severa, náuseas extremas e até pancreatite.
O mercado ilegal, porém, movimenta cifras milionárias. Estimativa da Associação Brasileira de Redes de Farmácias aponta que a procura por “canetas” de emagrecimento quadruplicou em 12 meses, abrindo margem para falsificações. Para especialistas da Fundação Oswaldo Cruz, cada frasco sem controle pode representar um “coquetel tóxico” ao consumidor.

O flagrante reforça a importância de comprar medicamentos apenas em estabelecimentos certificados. A PRF encaminhou o material e o suspeito à Superintendência da Polícia Federal em Fortaleza, onde será instaurado inquérito.
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Crédito da imagem: Divulgação / PRF