Mãe com câncer exige justiça após filho arrastado 20m
FORTALEZA (CE) – Na última sexta-feira (30), o depoimento emocionado de Maria Verônica Irineu de Oliveira expôs o drama duplo: o luto pela morte do filho Kauã Guedes, 18, e a luta dela contra um câncer cuja radioterapia terminara quatro dias antes.
- Em resumo: Jovem foi arrastado por mais de 20 m após ser atingido por picape a 98 km/h; motorista responde por homicídio qualificado.
Velocidade triplicada e fuga: entenda a dinâmica
Laudos da Perícia Forense confirmam que o empresário Rafael Elisario Ferreira conduzia a Ford Ranger a 98 km/h em via de 30 km/h quando avançou a preferencial no bairro Meireles. Além de não prestar socorro, ele buscou abrigo em um condomínio, segundo o Ministério Público.
No veículo, a Polícia recolheu latas de cerveja, dois papelotes de cocaína e psicotrópicos. Dados do Atlas da Violência indicam que o Ceará registrou taxa de 10,8 mortes no trânsito por 100 mil habitantes em 2024, número que especialistas atribuem, sobretudo, ao excesso de velocidade.
“Se ele me der todo o dinheiro do mundo, não traz meu filho de volta. Quero que viva muito para pagar pelo que fez”, desabafou Maria Verônica.
Reincidência, processo e impacto social
A Ranger de Rafael soma 24 multas em pouco mais de um ano, 16 delas por velocidade. O réu responde a homicídio qualificado com dolo eventual pela morte de Kauã e tentativa de homicídio contra o garupa, Igor Lima, que ficou gravemente ferido.

Especialistas lembram que, desde 2015, o Código de Trânsito prevê pena de até 8 anos para homicídio culposo envolvendo álcool ou velocidade. No entanto, levantamento da FBSP mostra que menos de 12 % dos acusados cumprem pena em regime fechado, alimentando a sensação de impunidade.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1