Tabuleiro do Norte (CE) – Mais de 30 dias depois da visita técnica da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o resultado laboratorial que confirmará – ou não – se o líquido escuro encontrado pelo agricultor Sidrônio Moreira é petróleo continua sem data para ser divulgado, mantendo a área isolada e a família sem solução para a falta de água.
- Em resumo: ANP diz que a “análise da amostra ainda não foi concluída” e não fixa prazo para o laudo.
Por que o laudo é decisivo
Somente com a conclusão dos testes químicos a ANP poderá atestar a origem geológica do material. A confirmação abriria caminho para avaliar se o volume tem viabilidade econômica, etapa que define possíveis contratos de exploração e o pagamento de até 1% em participações especiais ao dono da terra, conforme prevê a Lei do Petróleo.
De acordo com o IBGE, o Ceará responde hoje por menos de 0,1% da produção nacional de óleo bruto, concentrada na vizinha Bacia Potiguar. Uma nova jazida elevaria a arrecadação de royalties do estado e movimentaria a cadeia de serviços de energia.
“Isso nos causou espanto, porque o jorro ocorreu a apenas 40 m de profundidade, muito abaixo do que se observa na exploração convencional”, destacou Ildeson Prates Bastos, superintendente da ANP, durante a inspeção de 12 de março de 2026.
Riscos, impasse social e próximos passos
Enquanto aguarda o parecer oficial, a família Moreira mantém o poço lacrado, seguindo orientação da agência para evitar contato com possíveis hidrocarbonetos tóxicos. O agricultor de 63 anos depende de carros-pipa e de uma adutora datada da década de 1990, reativada emergencialmente após a repercussão do caso.

Além das análises de viscosidade, densidade, FTIR e flashpoint já concluídas pelo IFCE, o material passará por medições de saturados, aromáticos, resinas e asfaltenos, além do teste de proveniência. A logística de transporte e o uso de equipamentos de alta precisão podem alongar o processo a vários meses, segundo especialistas do setor.
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