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sábado, março 14, 2026

Mercado aquecido amplia poder de barganha dos trabalhadores e reduz desequilíbrio com empresas

O aquecimento do mercado de trabalho brasileiro tem diminuído a distância histórica entre empregadores e empregados, favorecendo negociações salariais e de benefícios. A avaliação é de Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho do FGV IBRE. Em entrevista ao podcast “O Assunto”, publicada na quinta-feira (5), o especialista explicou que, diante da escassez de mão de obra, é o trabalhador quem passa a deter maior poder de barganha.

“Quando o mercado está mais aquecido, o profissional percebe que pode escolher e negociar. Se surge vaga semelhante em outra empresa, ele consegue pleitear salário mais alto ou benefícios adicionais”, afirmou Tobler, a partir do minuto 16:42 do episódio.

De acordo com o economista, as contrapartidas oferecidas pelas companhias vão além de vale-transporte e vale-alimentação. Mudanças na carga horária, possibilidade de trabalho híbrido ou jornadas reduzidas também entram na mesa de discussão, além de reajustes na remuneração. Exemplificando o movimento, Tobler citou o setor de supermercados, que registrou uma das maiores elevações no salário de admissão em 2025.

Indicadores confirmam reaquecimento

Números divulgados recentemente reforçam o cenário de demanda elevada por mão de obra:

  • O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou taxa média de desemprego de 5,6% em 2025, o menor índice desde o início da série histórica.
  • Dados do Ministério do Trabalho revelaram a criação de 1,27 milhão de novos postos formais no mesmo período.

Com a oferta de profissionais mais restrita, empresas de diferentes segmentos competem para atrair e reter talentos. “Esse equilíbrio maior entre as partes coloca o trabalhador em posição vantajosa para avaliar propostas e optar pela que melhor se encaixa em suas necessidades”, observou o coordenador do FGV IBRE.

Podcast acompanha transformações

Publicado diariamente desde agosto de 2019, o podcast “O Assunto”, do g1, contabiliza mais de 168 milhões de downloads nas plataformas de áudio e 14,2 milhões de visualizações no YouTube. O episódio desta quinta-feira destacou as adaptações obrigatórias nas políticas de recursos humanos para lidar com o atual nível de aquecimento do mercado.

Na análise de Tobler, a tendência é que as empresas continuem revisando pacotes de remuneração e ambiente de trabalho enquanto a oferta de vagas superar o número de candidatos disponíveis. Para ele, o movimento deve permanecer enquanto a taxa de desemprego se mantiver próxima dos patamares mínimos históricos.

Embora o poder de barganha dos profissionais tenha crescido, o economista lembra que a dinâmica pode mudar caso o ritmo de geração de empregos diminua. Por ora, no entanto, a mão de obra segue valorizada e o equilíbrio na relação contratual avança, marcando um novo momento no mercado de trabalho brasileiro.

Com informações de G1

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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