O aquecimento do mercado de trabalho brasileiro tem diminuído a distância histórica entre empregadores e empregados, favorecendo negociações salariais e de benefícios. A avaliação é de Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho do FGV IBRE. Em entrevista ao podcast “O Assunto”, publicada na quinta-feira (5), o especialista explicou que, diante da escassez de mão de obra, é o trabalhador quem passa a deter maior poder de barganha.
“Quando o mercado está mais aquecido, o profissional percebe que pode escolher e negociar. Se surge vaga semelhante em outra empresa, ele consegue pleitear salário mais alto ou benefícios adicionais”, afirmou Tobler, a partir do minuto 16:42 do episódio.
De acordo com o economista, as contrapartidas oferecidas pelas companhias vão além de vale-transporte e vale-alimentação. Mudanças na carga horária, possibilidade de trabalho híbrido ou jornadas reduzidas também entram na mesa de discussão, além de reajustes na remuneração. Exemplificando o movimento, Tobler citou o setor de supermercados, que registrou uma das maiores elevações no salário de admissão em 2025.
Indicadores confirmam reaquecimento
Números divulgados recentemente reforçam o cenário de demanda elevada por mão de obra:
- O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou taxa média de desemprego de 5,6% em 2025, o menor índice desde o início da série histórica.
- Dados do Ministério do Trabalho revelaram a criação de 1,27 milhão de novos postos formais no mesmo período.
Com a oferta de profissionais mais restrita, empresas de diferentes segmentos competem para atrair e reter talentos. “Esse equilíbrio maior entre as partes coloca o trabalhador em posição vantajosa para avaliar propostas e optar pela que melhor se encaixa em suas necessidades”, observou o coordenador do FGV IBRE.
Podcast acompanha transformações
Publicado diariamente desde agosto de 2019, o podcast “O Assunto”, do g1, contabiliza mais de 168 milhões de downloads nas plataformas de áudio e 14,2 milhões de visualizações no YouTube. O episódio desta quinta-feira destacou as adaptações obrigatórias nas políticas de recursos humanos para lidar com o atual nível de aquecimento do mercado.

Na análise de Tobler, a tendência é que as empresas continuem revisando pacotes de remuneração e ambiente de trabalho enquanto a oferta de vagas superar o número de candidatos disponíveis. Para ele, o movimento deve permanecer enquanto a taxa de desemprego se mantiver próxima dos patamares mínimos históricos.
Embora o poder de barganha dos profissionais tenha crescido, o economista lembra que a dinâmica pode mudar caso o ritmo de geração de empregos diminua. Por ora, no entanto, a mão de obra segue valorizada e o equilíbrio na relação contratual avança, marcando um novo momento no mercado de trabalho brasileiro.
Com informações de G1
