Merenda escolar em Iguatu: PF rastreia R$ 400 mil desviados
Merenda escolar em Iguatu: PF rastreia R$ 400 mil desviados – No final de dezembro, a Polícia Federal flagrou dois homens com R$ 400 mil em espécie, quantia suspeita de integrar um esquema que drena verbas destinadas à alimentação de estudantes da rede municipal de Iguatu, no Centro-Sul do Ceará.
Os detidos foram identificados como Antônio Oliveira Filho, apontado como responsável pelos saques, e Wallis Bernardo, que teria usado a própria empresa WB Ltda. como fachada. Ambos responderão em liberdade após pagamento de fiança de R$ 10 mil e R$ 50 mil, respectivamente.
Quem são os investigados
Segundo o inquérito, os suspeitos atuariam a mando do empresário Diego Cartaxo, proprietário da DLA Serviços, firma que mantém contratos de fornecimento de merenda com prefeituras cearenses. A PF ainda mapeou a participação de Daniela Silva Andrade, cunhada de Cartaxo, como operadora financeira encarregada de provisionar saques que já somam mais de R$ 19 milhões.
A estrutura contaria com apoio logístico de um policial militar identificado apenas como “PM Bebeto”, responsável pela segurança do transporte de valores, prática que se encaixa no padrão de fraudes contra a administração pública descrito em relatórios da Polícia Civil do Ceará.
Rede de saques sob suspeita
Documentos anexados à investigação indicam que Oliveira Filho, que não possui empresa em seu nome, realizava retiradas fracionadas para dificultar o rastreamento bancário. Já Bernardo, usando CNPJ ativo, transferia parte do dinheiro para contas de terceiros.
Casos de desvios em merenda escolar geram prejuízos diretos ao aprendizado: levantamento da Confederação Nacional dos Municípios mostra que, quando há interrupção do fornecimento de alimentos, o índice de evasão pode subir até 25 % em regiões vulneráveis. Especialistas reforçam a necessidade de auditorias frequentes e transparência nas licitações para conter irregularidades.

Após a apreensão, a PF encaminhou os autos ao Ministério Público Federal, que deve avaliar pedido de bloqueio de bens e eventual oferecimento de denúncia por peculato e organização criminosa.
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Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Federal