Brasília - Em 19 de abril, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), braço do Ministério da Fazenda, concluiu que há “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta” na atuação da Lecar, startup que promete produzir veículos elétricos no país.
- Em resumo: Documento da SPA compara o modelo de negócios da Lecar a pirâmide financeira e recomenda investigação aprofundada.
Como o suposto esquema funcionava
O relatório cita taxa de adesão, venda de promessas futuras e uso de gatilhos psicológicos para atrair investidores, prática que viola quatro artigos do Código de Defesa do Consumidor. Para especialistas do Procon-CE, estruturas assim costumam ruir quando novos aportes secam, deixando os últimos compradores sem produto nem reembolso.
A própria Lecar admitiu não ter carro homologado nem fábrica pronta em Sooretama (ES), embora garanta que “o processo tem avançado bem”.
“Tudo está em desenvolvimento e nada é diferente do que comunicamos”, declarou o fundador Flávio Assis ao site Metrópoles.
Por que o alerta preocupa quem já pagou
A SPA pode interditar a estratégia de “compra programada”, exigindo rede de concessionárias e garantias financeiras antes de novas vendas. Segundo dados da Febraban, golpes envolvendo promessas de alto retorno já causaram prejuízo de R$ 2,5 bilhões aos consumidores brasileiros entre 2022 e 2023.
O cenário se agrava porque o mercado local conta hoje com 15 marcas chinesas consolidadas, elevando o sarrafo tecnológico e financeiro. Se montadoras com sete décadas de Brasil enfrentam margens apertadas, o desafio de uma recém-chegada sem histórico se torna exponencial.
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