Moda acessível ganha destaque em concurso no Ceará
Moda acessível ganha destaque em concurso no Ceará – Na última sexta-feira (28), o Shopping RioMar Kennedy recebeu a 6ª edição do Concurso Ceará Moda Acessível, iniciativa que levou 13 looks inclusivos à passarela e reforçou a autonomia de pessoas com deficiência.
Promovido pela Secretaria da Proteção Social (SPS) por meio do Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência (Cepid), o evento reuniu dez estilistas e modelos com diferentes tipos de deficiência, mostrando soluções que passam por aberturas laterais, texturas táteis e ajustes simplificados.
Criações premiadas valorizam conforto e funcionalidade
A designer Brenda Quíria ficou em primeiro lugar com a coleção “Constelar”. O look vencedor, destinado a uma modelo cadeirante, trazia calça confeccionada com medidas tiradas na posição sentada e elástico apenas na parte traseira, além de blusa com fechamento lateral.
O segundo posto foi para Thenny Mendes, que apresentou a coleção “Sentir o mar”, pensada para uma pessoa com deficiência visual. Bordados em relevo e camadas de tecido garantiram identificação tátil sem abrir mão das tendências.
Já a terceira posição ficou com peça criada para a atleta Clariene Abreu, amputada de um braço. A estilista priorizou fechos de fácil manuseio, como velcro e presilhas de impacto, possibilitando que a própria modelo vestisse a roupa sem ajuda.
Mercado da moda inclusiva ainda é desafio
Apesar do avanço criativo, especialistas apontam que a produção em escala de roupas adaptadas depende de maior conscientização empresarial. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8,9% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, universo que representa um mercado consumidor relevante. Ainda assim, poucas marcas investem em linhas específicas, o que reforça a importância de eventos como o concurso cearense. Dados do IBGE mostram que a demanda permanece subatendida.

Para Regina Tahim, coordenadora do Cepid, a passarela inclusiva quebra barreiras atitudinais. “O lugar da pessoa com deficiência também é no mundo da moda”, destacou. Além do desfile, alunos dos cursos de Fotografia, Cabeleireiro e Maquiagem do centro participaram da produção, e os três estilistas mais bem avaliados receberam prêmios entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.
No encerramento, a cadeirante Eduarda Kethelly celebrou a experiência: “Nunca pensei que vestiria algo feito para minha necessidade; foi um sonho realizado”.
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Crédito da imagem: Divulgação / Governo do Ceará
