FORTALEZA, CE – A quarta-feira, 15 de abril, amanheceu mais silenciosa no Ceará com a morte de José Barbosa Sobrinho, 108 anos, penúltimo ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que vivia na capital. O veterano lutou na Itália entre 1944 e 1945 e se tornou símbolo local de coragem e resistência.
- Em resumo: Com a partida de Barbosa, resta apenas um pracinha da FEB residente em Fortaleza.
Da Paraíba ao front italiano: 25 000 brasileiros em combate
Nascido em 1917 em Pedra Branca (PB), Barbosa mudou-se ainda criança para o Ceará. Aos 25 anos, alistou-se no 23º Batalhão de Caçadores e, em 1944, partiu para a Itália a bordo do navio americano General W. A. Mann. Lá integrou o contingente de 25 334 militares brasileiros que, segundo o Exército Brasileiro, participou de batalhas decisivas como Montese e Fornovo di Taro.
De volta ao Brasil, fixou residência no bairro Parreão, próximo a Montese — comunidade fundada por veteranos em homenagem à cidade libertada pelas tropas nacionais.
“Sua trajetória é símbolo de coragem, patriotismo e compromisso com a liberdade”, destacou a 10ª Região Militar em nota oficial.
Memória em risco: apenas 15 pracinhas vivos no país
Dados do Clube dos Veteranos da FEB indicam que restam cerca de 15 ex-combatentes no Brasil, grupo cujo número cai rapidamente em razão da idade avançada. Sem eles, a lembrança direta da participação nacional na Segunda Guerra corre o risco de se perder.

Para historiadores, o legado da FEB ultrapassa o campo de batalha: a presença brasileira na Itália acelerou debates sobre democracia e direitos civis no pós-guerra. Em 1945, por exemplo, o retorno dos militares coincidiu com o fim do Estado Novo, fato crucial para a redemocratização do país.
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