Morte de Constantino, fundador da Gol, abala setor aéreo
São Paulo – O setor de aviação amanheceu de luto neste sábado, 24 de janeiro, com a morte de Constantino de Oliveira Júnior, 57, fundador e presidente do conselho da Gol Linhas Aéreas. Vítima de um câncer diagnosticado há alguns anos, o executivo faleceu em um hospital da capital paulista, deixando um vácuo de liderança em uma das maiores companhias aéreas do país.
- Em resumo: empresário revolucionou o modelo low cost e comandou a compra da Varig em 2007.
De ônibus à revolução low cost
Filho do empresário Nenê Constantino, o piloto de corridas transformou, em 2001, a Gol de startup de aviação em gigante que hoje responde por cerca de 33% do market share doméstico, segundo dados do Banco Central sobre movimentação econômica do setor.
Antes disso, entre 1994 e 2000, atuou como diretor da Comporte Participações, grupo de transporte rodoviário da família. A experiência no modal terrestre foi decisiva para importar a lógica de custos enxutos que redefiniu a concorrência nas rotas nacionais.
“Sua liderança, visão estratégica e jeito simples e humano deixaram marcas profundas na cultura da Gol, cujos princípios seguem transformando a aviação no Brasil”, diz nota oficial da companhia.
Impacto imediato no Grupo Abra e no mercado
Além de presidir o conselho da Gol, Constantino era um dos fundadores do Grupo Abra, holding criada em 2023 para integrar Gol e Avianca. Analistas avaliam que o plano de sinergia entre as duas empresas — que inclui frota compartilhada e alavancagem de rotas — pode sofrer ajustes com a ausência do executivo.
No curto prazo, investidores acompanham a transição de comando enquanto o conselho define um sucessor. O movimento ocorre em meio a um cenário ainda desafiador para as companhias aéreas, cujo endividamento líquido superou R$ 20 bilhões em 2025, impulsionado pela alta do combustível e do câmbio.
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