MP aponta que médico usava notas para coagir alunas; polícia investiga

MP aponta que médico usava notas para coagir alunas; polícia investiga

QUIXADÁ (CE) – O Ministério Público do Ceará revelou, na última quinta-feira (29), que o médico e ex-professor universitário Yuri Portela pode ter repetido o esquema de abuso sexual contra outras estudantes além da jovem que motivou sua prisão preventiva.

  • Em resumo: Promotores detectaram “indícios de outras vítimas” coagidas com promessas de acesso a provas e pontos extras.

Professor trocava “vantagens” por favores, diz acusação

De acordo com o MPCE, Portela utilizava a posição de docente em uma faculdade particular de Quixadá para oferecer antecipação de avaliações e aumento de notas em troca de envolvimento sexual. A estratégia configuraria abuso de poder e violência psicológica, crime previsto no artigo 215-A do Código Penal.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 35 mil registros de assédio sexual foram feitos no país em 2023 – uma subnotificação que, na análise da entidade, pode ser ainda maior no ambiente universitário (relatório anual do FBSP).

“Há indícios de outras condutas possivelmente criminosas e de outras vítimas”, destacou o MPCE ao justificar a necessidade da prisão preventiva.

Por que a prisão preventiva foi decretada

A Justiça considerou a gravidade das denúncias e a possibilidade de intimidação das estudantes para manter o acusado detido enquanto a investigação prossegue sob segredo de Justiça. A medida também visa preservar provas digitais — principal base do inquérito — como mensagens e áudios que teriam sido enviados pelo professor.

Em nota, a defesa de Portela classificou a decisão como “desproporcional” e argumentou falta de contemporaneidade, já que os fatos ocorreriam há meses. Mesmo assim, a Promotoria sustenta que a detenção é essencial para evitar novos contatos do investigado com possíveis vítimas.

Como denunciar e buscar apoio

Estudantes ou testemunhas podem procurar a Promotoria de Justiça de Quixadá, na Av. Jesus Maria José, 31, Jardim dos Monólitos, para relatar informações. Denúncias anônimas também podem ser enviadas pelo telefone 180, canal nacional de combate à violência contra a mulher.

Caso o processo resulte em condenação, Portela poderá responder por assédio sexual, crime que prevê pena de até seis anos de reclusão, somada a possíveis sanções profissionais impostas pelo Conselho Regional de Medicina.

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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino

Vinicius Balbino faz parte da equipe do C4 Notícias, atuando na produção de conteúdos sobre esportes, atualidades, tecnologia, entretenimento e acontecimentos de grande repercussão. Com experiência em jornalismo digital e cobertura de notícias online, desenvolve matérias com linguagem clara, moderna e acessível para diferentes públicos. Seu trabalho acompanha diariamente os temas mais relevantes do Brasil e do mundo, levando informação rápida, confiável e atualizada aos leitores do portal.