OMS confirma fim da transmissão vertical do HIV no Brasil
Transmissão vertical do HIV – O Brasil recebeu certificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) por eliminar a passagem do vírus de gestantes para seus bebês como problema de saúde pública, tornando-se o maior país do mundo a alcançar esse marco.
O reconhecimento oficial será entregue por representantes da OMS e do Unaids durante visita ao país, conforme antecipado pelo Ministério da Saúde.
Como funciona a certificação da OMS
Para declarar o fim da transmissão vertical, a OMS exige que a taxa de infecção em recém-nascidos fique abaixo de 2% e que ao menos 95% das gestantes recebam testagem e tratamento adequados. O dossiê brasileiro, enviado em julho, comprovou que os indicadores foram superados graças à cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) e às diretrizes de pré-natal.
Segundo o Unaids, cerca de 1,3 milhão de mulheres vivem com HIV no mundo; a maioria dos casos de infecção infantil ocorre pela falta de tratamento materno. A certificação brasileira passa a integrar a lista de conquistas globais divulgadas pela OMS.
Avanços do SUS e panorama atual
Entre 2010 e 2022, o Brasil reduziu em 86% o número de crianças que nascem com HIV, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A distribuição gratuita de antirretrovirais, o teste rápido durante o pré-natal e o parto cesáreo programado para gestantes com carga viral detectável foram decisivos para o resultado.
Relatório do Unaids mostra que, em 2022, 81% das pessoas que vivem com HIV no país estavam em tratamento, percentual superior à média global de 76%. A ampliação de centros de testagem e a campanha “Nascer Sem HIV” contribuíram para a adesão materna ao cuidado.
No campo da prevenção, o governo mantém a profilaxia pós-exposição (PEP) e a pré-exposição (PrEP) disponíveis em mais de 1.400 serviços, estratégia que complementa o controle da epidemia e reduz novos casos em adultos.

A eliminação da transmissão vertical representa não só vitória sanitária, mas também alívio econômico: estudo da OMS estima que cada infecção infantil evitada gera economia de US$ 110 mil em custos vitalícios de tratamento.
Com o reconhecimento, o Brasil passa a ser modelo para nações de renda média que buscam erradicar a transmissão materno-infantil de HIV e sífilis congênita simultaneamente.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil