Poço raso jorra possível petróleo no CE e acende alerta
TABULEIRO DO NORTE/CE – Uma perfuração de apenas 40 metros, feita em 2024 para buscar água, expeliu um líquido escuro que testes preliminares indicam ser petróleo. A notícia, tornada pública recentemente, reaquece o debate sobre o potencial energético do Ceará e coloca a Agência Nacional do Petróleo (ANP) sob pressão para confirmar – ou descartar – a descoberta.
- Em resumo: líquido com perfil da Bacia Potiguar surgiu em área sem histórico de extração, a 11 km de poços no RN.
Por que um achado tão raso surpreende especialistas
Poços comerciais onshore costumam ultrapassar 1 km de profundidade. O fluido ter brotado a 40 m foge ao padrão e sugere um sistema geológico ainda não mapeado. De acordo com o professor Hosiberto Batista, da Universidade Federal do Ceará, “é não usual encontrar óleo tão perto da superfície”. Dados oficiais da ANP mostram que a produção média cearense em 2022 era de 575 barris/dia – ínfima diante dos mais de 3 milhões de barris diários bombeados no país.
Para dimensionar o reservatório, é indispensável uma análise sísmica. Sem ela, não há como saber se a jazida é economicamente viável ou apenas um bolsão isolado. Avaliações assim custam milhões e podem levar meses.
“Pode ser petróleo, mas cuja quantidade não valha a pena explorar”, pondera Hosiberto Batista.
Próximos passos e o que pode mudar para o Ceará
A família do agricultor Sidrônio Moreira já foi notificada que técnicos da ANP irão ao local. Se confirmado o potencial, o órgão subdivide a área em blocos para futuros leilões. Historicamente, porém, apenas 30 % das áreas ofertadas em rodadas terrestres atraem investidores, segundo relatórios da própria Agência.

O interesse corporativo dependerá do preço internacional do barril, da proximidade com dutos e do teor de enxofre do óleo. Segundo o Atlas da Energia, cada ponto percentual a mais de enxofre pode elevar o custo de refino em até 5 %. Caso o óleo cearense seja leve, como indica o primeiro laudo, o estado pode ganhar relevância e receita de royalties, hoje concentrada em Aracati e Icapuí.
O que você acha? A eventual nova jazida deve atrair investimentos ou provocar risco ambiental no Vale do Jaguaribe? Para acompanhar outras notícias do estado, acesse a editoria Ceará.
Crédito da imagem: Divulgação / G1
