Posco relata apenas R$109 em caixa e deixa R$644 mi em dívidas
FORTALEZA/CE – A filial brasileira da siderúrgica sul-coreana Posco entrou em autofalência em agosto de 2025, listando um passivo de R$ 644 milhões e um saldo bancário de apenas R$ 109, cenário que pode transformar 47 credores em vítimas de um dos maiores calotes corporativos do Ceará.
- Em resumo: empresa admite ter só um carro, um terreno e R$ 109 para quitar dívida 5.900 vezes maior.
Como a construção de R$ 5,4 bi virou rombo bilionário
Criada em 2011 para tocar a siderúrgica do Pecém, a Posco Engenharia e Construções do Brasil terceirizou quase toda a obra, movimentou US$ 5,4 bilhões e encerrou as atividades em 2018. Desde então, acumulou processos que hoje somam R$ 644 milhões, incluindo R$ 42 milhões em impostos confirmados pela União e R$ 567 milhões cobrados por um único escritório de advocacia.
Dados do Banco Central mostram que o número de falências decretadas no país saltou 37 % entre 2021 e 2024, tendência que pressiona pequenas empresas contratadas por gigantes como a Posco.
“Se essa falência prosperar, serão vendidos um carro e um terreno; o resto dos R$ 643 milhões ninguém recebe”, alerta o advogado Frederico Costa, presidente da Associação Internacional de Credores da Posco.
Suspeita de fraude e efeito cascata nos fornecedores
Credores afirmam que a autofalência foi planejada para drenar lucros à matriz na Coreia do Sul, deixando no Brasil apenas um Ford Fusion 2015, um terreno em São Gonçalo do Amarante e o saldo irrisório exposto à Justiça. A estratégia, conhecida como “empresa de uma obra só”, levanta debate sobre responsabilidade solidária da holding estrangeira.

Especialistas lembram que, pelo artigo 82 da Lei de Falências, a Justiça pode estender a insolvência à controladora quando há indícios de confusão patrimonial — medida que, se aplicada, criaria precedente valioso para outros credores de multinacionais.
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Crédito da imagem: Divulgação / CSP
