Protestos no Irã deixam 65 mortos e mais de 2 mil presos
Protestos no Irã deixam 65 mortos e mais de 2 mil presos – A mais recente contagem da ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA) aponta 65 vítimas fatais e cerca de 2.300 detenções desde o início da onda de manifestações contra o governo clerical iraniano, iniciada em 28 de dezembro.
Os números incluem 50 manifestantes e 15 agentes de segurança mortos. Hospitais em diversas províncias relatam ferimentos graves por disparos de munição real e espancamentos, indicou um médico do noroeste do país.
Guardas Revolucionários prometem endurecer a repressão
Em comunicado televisivo, os Guardas Revolucionários — força de elite responsável por conter distúrbios internos — culparam “terroristas” pelos atos de vandalismo, que teriam incluído incêndios a edifícios públicos e bases policiais.
A corporação afirmou que “protegerá o sistema” e não descarta ampliar operações para dispersar concentrações nas principais cidades. Em 2019, uma repressão semelhante deixou ao menos 300 mortos, segundo estimativa do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.
Raízes do descontentamento popular
Embora tenha começado em protesto contra o aumento da inflação — que ultrapassa 45% ao ano, segundo o Banco Central do Irã —, a mobilização rapidamente incorporou pautas políticas, exigindo o fim do regime teocrático instalado em 1979.
Ao mesmo tempo, o ex-príncipe Reza Pahlavi, que vive nos Estados Unidos, incentivou em vídeo a “tomar centros urbanos” e afirmou preparar retorno ao país. Teerã acusa Washington e Israel de fomentar a agitação; o ex-presidente norte-americano Donald Trump chegou a declarar possível intervenção.

Com bloqueios intermitentes de internet, imagens verificadas pela agência Reuters revelam fogueiras em vias da capital e grande presença policial. Testemunhas relatam disparos em pelo menos três regiões no oeste iraniano.
Enquanto a situação permanece volátil, autoridades internacionais pedem contenção e investigação imparcial sobre as mortes. Para acompanhar outras atualizações do cenário global, visite nossa editoria de Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil