R$ 644 mi em jogo: Posco Brasil mira autofalência contestada

R$ 644 mi em jogo: Posco Brasil mira autofalência contestada

Fortaleza/CE – A versão brasileira da gigante sul-coreana Posco Eco & Challenge, criada para erguer a siderúrgica do Pecém, está no centro de uma disputa judicial desde setembro de 2025. Com apenas R$ 109 em caixa e um Ford Fusion 2015 declarado como patrimônio relevante, a Posco Engenharia e Construção do Brasil tenta confirmar a própria falência enquanto 47 credores acusam a companhia de planejar um calote superior a R$ 644 milhões.

  • Em resumo: Falência aprovada trava cobranças, mas associação de credores quer invalidar processo e atingir a matriz na Coreia do Sul.

Como a dívida explodiu

Fundada em 2011 para construir a siderúrgica de US$ 5,4 bilhões, a Posco Brasil terceirizou quase todos os serviços e, entre 2013 e 2018, acumulou pendências trabalhistas, tributárias e contratuais. Só o escritório Campelo Costa, responsável por litígios desde 2017, reivindica R$ 567 milhões – valor que corresponde a 88% do passivo total.

No processo, a empresa relata ativos de apenas R$ 11 mil circulantes e R$ 47,7 milhões não circulantes – muitos bloqueados pela Justiça. Parte é contestada pelos credores, que apontam “omissões” como a ausência da dívida de R$ 22 milhões com a locadora Maqloc.

“Eles vão vender um carro, um terreno e pagar centavos; o resto some. Isso é fraude”, dispara o advogado Frederico Costa, presidente da Associação Internacional de Credores da Posco.

Por que a acusação de fraude preocupa

Se o pedido de autofalência prosperar, todas as execuções individuais permanecem suspensas, e o rateio venderia bens avaliados em menos de 0,3% do débito. Dados do Fisco federal mostram que apenas R$ 42 milhões correspondem a tributos, o que coloca a União como credor preferencial e reduz ainda mais a chance de pagamento às pequenas empresas.

Especialistas alertam que o caso expõe brechas da Lei de Falências: segundo o Banco Mundial, só 14% dos credores no Brasil recuperam mais da metade do que lhes é devido em processos de insolvência — índice pior que a média da América Latina. Além disso, a tentativa de estender a responsabilidade à Posco Holdings sinaliza possível internacionalização do litígio, o que pode arrastar o impasse por anos.

O que você acha? Empresas estrangeiras devem ser responsabilizadas pelo passivo de suas filiais brasileiras? Para aprofundar o tema, acesse nossa editoria de Finanças.


Crédito da imagem: Divulgação / g1

Vinicius Balbino

Vinicius Balbino faz parte da equipe do C4 Notícias, atuando na produção de conteúdos sobre esportes, atualidades, tecnologia, entretenimento e acontecimentos de grande repercussão. Com experiência em jornalismo digital e cobertura de notícias online, desenvolve matérias com linguagem clara, moderna e acessível para diferentes públicos. Seu trabalho acompanha diariamente os temas mais relevantes do Brasil e do mundo, levando informação rápida, confiável e atualizada aos leitores do portal.