Fortaleza, CE – Em decisão que ecoa o acirramento das disputas entre facções, o Tribunal do Júri condenou Clenilson Braz Freitas, conhecido como “Lindo”, a 39 anos, um mês e cinco dias de prisão pelo assassinato de Francisco Natan Uchoa Silva, morto a tiros após se recusar a revelar a senha do celular em fevereiro de 2024.
- Em resumo: vítima foi mantida refém com namorada e criança antes de receber mais de dez disparos.
Julgamento rápido e pena exemplar
O veredicto saiu na última quinta-feira (16) em menos de um dia de debates. O réu, apontado como integrante da Guardiões do Estado (GDE), também responderá por organização criminosa e cárcere privado. Além da prisão, terá de pagar R$ 40,5 mil por danos morais à família de Natan.
De acordo com o Ministério Público, Clenilson e dois comparsas invadiram a residência no bairro Mondubim para interrogar o visitante, suspeito de simpatizar com a facção rival Comando Vermelho. O celular da vítima era visto como “prova” de lealdade, mas a negativa em fornecer a senha deflagrou a execução.
“Clenilson Braz foi condenado pelos crimes de homicídio, organização criminosa e cárcere privado contra dois adultos e uma criança.” – Ata do julgamento.
Violência faccionada ganha números alarmantes
O Ceará fechou 2023 com taxa de 42,2 homicídios por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 23,4, segundo o Atlas da Violência 2024. Especialistas relacionam a escalada ao avanço de facções, que disputam rotas de drogas e territórios urbanos.
Bairros periféricos como Mondubim são considerados “zonas de sombra” pela Polícia Civil, onde a população se vê pressionada a obedecer ordens de grupos armados. A execução de Natan reproduz um padrão já mapeado: invasão domiciliar, sequestro relâmpago e disparos à queima-roupa para reforçar domínio.
Entidades de direitos humanos defendem que sentenças severas, como a aplicada a Clenilson, enviam sinal de que o Estado não está ausente, mas alertam que somente políticas de prevenção e inteligência podem conter a progressão das facções.
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