Simulacro na Arena Castelão testa 64 feridos e 4 mortes
FORTALEZA/CE – Na última quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, a Arena Castelão virou um “hospital de guerra” ao receber o primeiro Simulacro Geral de Incidente com Múltiplas Vítimas (IMV), exercício que mede, em tempo real, a capacidade de socorro a milhares de torcedores em caso de tragédia.
- Em resumo: 64 “feridos”, quatro “óbitos” e resgate aéreo colocaram à prova a integração entre SAMU, Bombeiros e Defesa Civil.
Como a operação relâmpago foi executada
Durante 40 minutos, atores maquiados reproduziram fraturas, hemorragias e pânico enquanto as equipes aplicavam o protocolo START de triagem, que define atendimento por cores. O objetivo: reduzir o tempo-porta-hospital de 90 para menos de 30 minutos – padrão exigido em arenas acima de 60 mil lugares.
Além de 30 vítimas “vermelhas” e “amarelas” cedidas pela JF Simulações, o ensaio contou com quatro manequins de óbito fornecidos pela Pefoce e evacuação com helicóptero da Ciopaer. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, estados que treinam respostas integradas conseguem cortar em 35% a mortalidade em acidentes de massa.
“Hoje é o grande ensaio geral: 30 vítimas amarelas, 30 verdes, quatro em óbito. Vamos analisar cada segundo desta cadeia de socorro”, detalhou Eva Baia, coordenadora da Rede de Urgência do Ceará.
Por que isso importa para quem frequenta estádios
Eventos esportivos reúnem multidões, e falhas elétricas, brigas ou desabamentos podem gerar centenas de feridos. A FIFA, após o desastre de Hillsborough (1989), passou a exigir planos de IMV em arenas habilitadas para grandes competições. No Brasil, o Estatuto do Torcedor (Lei 10.671/2003) obriga a presença de equipes médicas, mas não especifica treinamentos conjuntos – lacuna que o Ceará tenta preencher.

O secretário do Esporte, Rogério Pinheiro, reforçou que o Castelão sediará jogos internacionais em 2026 e precisa de resposta “cirúrgica” a qualquer crise. Já o médico Márcio Guanabara, do Samu Eusébio, lembra que cada minuto sem atendimento aumenta em 10% o risco de morte por hemorragia grave.
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