Soldado afastado por feminicídio no Ceará fica 120 dias

Soldado afastado por feminicídio no Ceará fica 120 dias

Soldado afastado por feminicídio no Ceará fica 120 dias – O soldado Joaquim Gomes de Melo Filho foi retirado das funções operacionais da Polícia Militar do Ceará por quatro meses, após ser preso pela morte da companheira e colega de farda Larissa Gomes da Silva, 26 anos. A portaria foi publicada no Diário Oficial do Estado em 16 de dezembro e aponta “acentuado grau de reprovabilidade”, justificando o afastamento.

A investigação corre sob segredo de justiça desde que a prisão em flagrante virou preventiva, dois dias depois do crime ocorrido em 3 de novembro, no município de Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza.

Como ocorreu o crime

Segundo o inquérito, o casal discutiu dentro da residência onde moravam. Ambos sacaram armas da corporação, houve troca de tiros e Larissa foi atingida no abdômen e no tórax. Joaquim levou um disparo na perna.

Socorridos à Unidade de Pronto Atendimento do Eusébio, a soldado não resistiu aos ferimentos. As duas pistolas foram apreendidas pela Perícia e encaminhadas à Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar.

Prisão preventiva e processo disciplinar

Após receber alta médica, o militar foi autuado por feminicídio com qualificadora de crime militar e transferido para o Presídio Militar. A Controladoria Geral de Disciplina considera que o afastamento de 120 dias é necessário para evitar interferências na apuração e garantir a ordem pública.

Decorridos os 120 dias, a conduta do soldado será reavaliada no âmbito administrativo, independentemente do processo criminal.

Histórico de violência e contexto

Familiares relatam que Larissa sofria agressões físicas e psicológicas desde o início do relacionamento, incluindo ameaças e disparos dentro de casa. O caso reforça o quadro de violência contra mulheres no estado: em 2023, o Ceará registrou 130 feminicídios, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A organização aponta ainda que agentes de segurança aparecem entre os autores em cerca de 8% dos casos, índice que acende o alerta para políticas de prevenção e acompanhamento psicológico dentro das corporações.

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Crédito da imagem: Divulgação / PMCE

Vinicius Balbino

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