Operação aérea inédita capta 1º pulmão no interior do Ceará
Quixeramobim/CE – Em uma ação que amplia o mapa de transplantes no estado, a Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) realizou a primeira remoção de pulmão fora de Fortaleza, no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), na última terça-feira (20). Três equipes médicas foram transportadas em tempo recorde e, além do pulmão, retiraram dois rins do mesmo doador.
- Em resumo: helicópteros levaram três equipes e trouxeram o primeiro pulmão captado no interior cearense.
Como a logística aérea encurtou a distância
Duas aeronaves – Fênix 04 (EC135 P2+) e Fênix 07 (EC145 C2) – decolaram de Fortaleza rumo a Quixeramobim com perfis de voo distintos para acomodar pessoal e equipamentos delicados. Segundo dados do Ministério da Saúde, cada hora economizada no transporte de órgãos eleva em até 20% a chance de sucesso do transplante.
No interior do hospital, equipes especializadas em coração, rins/fígado e pulmão atuaram de forma sincronizada, reduzindo o tempo isquêmico – período em que o órgão fica sem irrigação – a níveis semelhantes aos registrados em grandes capitais.
“Transportamos três equipes simultaneamente, algo raro, e quebramos o paradigma ao realizar a primeira captação de pulmões no Sertão Central”, destacou o coronel PM Marcus Costa, coordenador da Ciopaer.
Por que esse marco muda o jogo para o paciente
Até então, todos os transplantes pulmonares do Ceará dependiam da estrutura da capital. A descentralização evita que famílias percam janelas cirúrgicas por viagem terrestre e amplia a oferta de órgãos. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, o Nordeste respondeu por 14,5% dos transplantes pulmonares do país em 2025; a nova capacidade deve ampliar esse percentual em 2026.

O HRSC passa a integrar a rede de hospitais aptos a procedimentos de alta complexidade, passo alinhado à Lei 9.434/97, que regulamenta transplantes no Brasil e incentiva a regionalização da captação.
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Crédito da imagem: Divulgação / SSPDS-CE