Condenado a 21 anos, acusado filmou execução em Canindé
CANINDÉ/CE – Na última quarta-feira (4), o Tribunal do Júri local condenou Daniel de Paula do Nascimento a 21 anos de prisão em regime fechado. O Ministério Público do Ceará sustentou que o réu não só planejou, como também gravou o assassinato de um rival em outubro de 2023, em meio a um acirrado conflito entre facções.
- Em resumo: gravação do crime e aliciamento de menor foram decisivos para a sentença.
Vídeo da morte convenceu jurados
Segundo a acusação, Daniel preparou uma casa abandonada, atraiu a vítima com um pretexto e executou o disparo fatal com ajuda de um adolescente. A cena foi registrada em vídeo e compartilhada com integrantes da quadrilha, prova considerada decisiva pelo corpo de jurados.
Entre 2012 e 2022, o Ceará registrou alta de 24,8 % nos homicídios, de acordo com dados do Atlas da Violência. Especialistas associam o avanço ao fortalecimento de facções e ao uso de conteúdos digitais para intimidar rivais.
“A sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo MPCE, que apontou motivo torpe, emboscada e meio cruel”, destacou o promotor Aureliano Barcelos.
Facções e aliciamento de menores no Ceará
O caso expõe a prática crescente de cooptar adolescentes para tarefas de alto risco. A Lei 8.069/1990 prevê pena maior quando há corrupção de menores, fator que acrescentou quatro anos à condenação de Daniel.

Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, só em 2023, 1.152 jovens cearenses foram apreendidos por crimes ligados a organizações criminosas. A condenação em Canindé reforça a orientação de promotores para que provas digitais — como vídeos e mensagens — sejam preservadas e apresentadas em juízo.
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Crédito da imagem: Divulgação