BRASÍLIA – Em reunião nesta terça-feira (14), o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, surpreendeu a cúpula tucana ao sugerir que o ex-ministro Ciro Gomes lidere a chapa presidencial de 2026, movimento que busca furar a bolha da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
- Em resumo: PSDB tenta emplacar Ciro como terceira via e mira eleitor cansado da mesma polarização.
Por que o PSDB desafia o eixo Lula-Bolsonaro
Aécio argumentou que a legenda “precisa oferecer uma alternativa” e que Ciro reúne experiência administrativa e recall nacional. O tucano lembrou que, em 2022, 30,8% do eleitorado votou nulo, branco ou se absteve, segundo dados do TSE, sinal de espaço para um novo projeto.
Analistas ouvidos por bastidores do Congresso apontam que o movimento também busca reaproximar o PSDB do Nordeste, região onde Ciro tem base histórica e onde Lula venceu com 70% dos votos no segundo turno.
“Recebo com muita honra e alguma surpresa. Não pode ser uma decisão imediata”, disse Ciro Gomes ao avaliar o convite.
Contexto eleitoral e riscos de fragmentação
Nas eleições de 2022, Lula somou 60,3 milhões de votos (50,9%) contra 58,2 milhões de Jair Bolsonaro (49,1%). Os números, embora apertados, consolidaram o ambiente binário que o PSDB tenta dissolver.

Para 2026, o calendário partidário prevê janelas de filiação até abril do próprio ano. Caso aceite a missão, Ciro precisará costurar alianças ao centro e conter resistências internas – parte da bancada tucana ainda aposta em nomes como Eduardo Leite.
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